Um partido trampolim

Sensação das eleições de 2018, o PSL passou da condição de nanico para a de segunda maior força da Câmara dos Deputados. Partido do presidente Jair Bolsonaro, havia sinais de que a agremiação cresceria ainda mais assim que se iniciassem os trabalhos do Congresso Nacional, em fevereiro. Não foi o que se viu. Em análises anteriores, levantamos a hipótese de um possível esvaziamento da legenda ao longo do tempo devido a fatores como a falta de conteúdo programático e organicidade.

Conflitos internos têm interferido na atuação de seus parlamentares, e o quadro que nunca foi bom, se agravou nas últimas semanas. O ponto alto dessa crise, no PSL, foi o rompimento do deputado paulista Alexandre Frota com Bolsonaro. Aliado de primeira hora do presidente e uma das estrelas da legenda, o parlamentar passou a disparar duras críticas ao Planalto. O saldo final foi o seu recente ingresso no PSDB e a inevitável aproximação com o governador João Dória - que, como todos sabem, já se movimenta de olho na sucessão presidencial de 2022.

Mas não foi apenas o affair Frota que marcou o PSL de fevereiro para cá. Brigas internas via WhatsApp entre a bancada, bate-boca em plenário, acusações de candidaturas laranja, desempenho abaixo da crítica de lideranças do partido, o cardápio é extenso. Uma mistura de amadorismo com pouca habilidade política.

Em recente entrevista ao jornal Valor Econômico, o ex-secretário-geral da presidência Gustavo Bebianno, que também ocupou a presidência do PSL, fez duras críticas ao presidente da República e à atuação da bancada do partido nas duas Casas Legislativas. Ele também atacou a indicação do deputado Eduardo Bolsonaro para a embaixada brasileira nos Estados Unidos. Cabe lembrar aqui que o ex-secretário foi exonerado do cargo após bater de frente com os filhos de Jair Bolsonaro, todos integrantes da cúpula do partido.

Não há, no horizonte, uma solução para os problemas enfrentados pela legenda. Na verdade, a saída de Frota pode representar o início de um êxodo de parlamentares em busca de outras agremiações melhor estruturadas. O movimento está sendo observado de perto. Nesse sentido, o PSL poderá se assemelhar a um trampolim, para que os deputados alcem novos voos.

André Pereira César

Cientista Político

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