Sucessão Presidencial: O labirinto dos partidos

PL, PP, Republicanos e o Centrão - a iminente filiação de Jair Bolsonaro ao PL encerra um capítulo, mas a novela da relação do titular do Planalto com os partidos prosseguirá. O ingresso do presidente não resolve divisões internas da legenda em diversos estados, como São Paulo, Bahia e Pernambuco, por exemplo. Também as demais legendas do Centrão seguirão com suas divisões regionais, o que certamente gerará momentos de tensão ao longo da campanha. O bloco suprapartidário não é e jamais será um monolito, e estará sempre pronto a negociar com outras forças políticas, ainda mais se a candidatura Bolsonaro porventura não consiga decolar ao longo da campanha.

PT e a esquerda - a liderança por ora inconteste de Lula nas pesquisas eleitorais pode ser perigosa, pois dá ao PT e seus aliados de esquerda a falsa sensação de “já ganhou”. As recentes declarações do ex-presidente sobre países como a Nicarágua e Cuba deu munição aos adversários, que agora atacam a visão que a legenda tem da democracia. Assim, uma eventual aproximação entre Lula e o ex-governador Geraldo Alckmin pode servir como uma demonstração de moderação por parte dos petistas. O eleitor mais conservador, porém, mesmo com Alckmin dificilmente embarcará no projeto do PT.

PSDB - a divisão da legenda, mantida a portas fechadas até pouco tempo atrás, foi escancarada com o fiasco das prévias de domingo, 21 de novembro. Agora, trata-se de recolher os cacos. A candidatura presidencial tucana, seja com João Dória ou Eduardo Leite, tem reduzidíssimas chances de sucesso. O mais provável, hoje, é uma composição com forças de centro, como o Podemos, mas em uma posição subalterna. O PSDB, tal qual o conhecíamos, não existe mais. O partido tardou a se renovar. Uma reinvenção ou refundação talvez seja uma das saídas no intuito de se evitar a consistente diminuição do partido no cenário da política.

PSD - o partido de Gilberto Kassab se credencia para ser o grande curinga das eleições de 2022. O perfil flexível da legenda, que negocia da esquerda à direita, e a presença de lideranças políticas de peso nacional, como o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco, dão consistência ao projeto eleitoral de Kassab. Candidatura própria, vice de uma chapa petista ou aliado a forças de centro, o PSD é uma agremiação multiuso. Tanto que foi um dos partidos que mais elegeu nas eleições municipais de 2020.

Podemos - o ex-ministro Sérgio Moro é o grande trunfo do partido, que pretende eleger uma bancada mais robusta na Câmara dos Deputados. Curiosamente, o principal ativo político da estrela da legenda é também seu ponto fraco - a Lava Jato atrai boa parte do eleitorado conservador que defende uma agenda de combate à corrupção e que votou em Bolsonaro no pleito de 2018, mas essa agenda impõe limites às negociações com outras forças políticas. Legendas como PP, PL, MDB, PSDB, PSL, PTB, e o antigo Democratas, são alguns dos partidos com mais investigados e condenados atingidos diretamente pela operação Lava Jato. Sérgio Moro, no frigir dos ovos, não é bem visto pela classe política.

União Brasil - a fusão DEM-PSL ainda está cercada de incertezas e o futuro da nova legenda ainda é incerto. De concreto, sabe-se que parcela significativa de seus integrantes deverá acompanhar Bolsonaro em seu novo partido. O principal presidenciável da agremiação, o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, tem pouco apelo eleitoral e o União Brasil deverá se aproximar da candidatura Moro, ainda mais se se confirmar uma chapa Moro/Dória.

PDT - Perdendo força política junto ao eleitorado, o candidato Ciro Gomes está longe de ser unanimidade no partido. A própria bancada federal está dividida, como mostraram as votações da PEC dos Precatórios e a PEC da Bengala, duas proposições da agenda bolsonarista. Ao mergulhar de corpo e alma na candidatura do ex-ministro, a cúpula pedetista entrou em uma armadilha - fecharam as portas para qualquer composição com outras legendas. O PDT sairá menor do pleito do próximo ano se continuar nessa toada.

MDB - a senadora Simone Tebet é o nome mais forte do partido para a sucessão presidencial. No entanto, com fraco desempenho nas pesquisas (em torno de 1% das intenções de voto), ela tende a ser abandonada por seus pares, assim como aconteceu na eleição à presidência do Senado Federal. O MDB deverá jogar da maneira habitual - apoiar uma candidatura politicamente mais sólida e, passado o pleito, negociar com o vencedor. Para a agremiação o foco principal serão as eleições para o Congresso Nacional.

André Pereira César
Cientista Político

Colaboração: Alvaro Maimoni – Consultor Jurídico

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