Reforma ministerial no horizonte

Além das eleições das presidências da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, a reforma ministerial também atrai as atenções do mundo político. Por ora, o Planalto mantém discrição em torno do assunto, mas é praticamente inevitável uma troca de cadeiras em breve.

As possibilidades de mudanças são muitas e a especulação é grande. De concreto, alguns nomes estão na berlinda e certas alterações poderão ocorrer para acomodar forças que apoiam o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Uma alteração se dará com a saída do atual secretário-geral da Presidência, Jorge Oliveira, que assumirá uma cadeira no Tribunal de Contas da União. O mais cotado para assumir sua vaga é o general Luiz Eduardo Ramos, hoje secretário de Governo.

O deslocamento de Ramos, a se confirmar, será de grande utilidade para Bolsonaro. Em seu lugar poderiam assumir o atual líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP/PR), ou o ministro das Comunicações, Fábio Faria (PSD/RN). Em comum, os dois pertencem ao neoaliado Centrão e mantém boa interlocução com o Congresso. As relações entre o Executivo e o Legislativo, em tese, melhorariam.

Outras mudanças poderão ocorrer nos ministérios da Cidadania e do Turismo. Aos olhos de Bolsonaro, o desempenho dos dois titulares, Onyx Lorenzoni (DEM/RS) e Marcelo Álvaro Antônio (PSL/MG), não é satisfatório e eles, assim, reassumiriam seus mandatos na Câmara, abrindo espaço para outros aliados. Mudanças quase certas.

Outros dois casos são mais delicados. Apesar das pressões, o titular do Planalto resiste em afastar os ministros das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Ambos representam como poucos o chamado “núcleo ideológico” do governo e as demissões seriam uma demonstração de fraqueza de Bolsonaro e o início de uma rusga com os seguidores mais ferrenhos do governo. Aqui, o quadro segue indefinido.

Por fim, o ministro da Economia, Paulo Guedes, vive uma situação curiosa. De “Posto Ipiranga” e “super ministro”, ele passou a mero coadjuvante, sendo questionado inclusive pelo mercado financeiro, o principal fiador de sua posição no governo. Sua exoneração, desse modo, não surpreenderia, e nomes não faltam para substituí-lo - o atual presidente do Banco Central, Roberto Campo Neto, e o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, estão na bolsa de apostas.

Bolsonaro remexerá algumas peças com o objetivo de iniciar a segunda metade de seu mandato com fôlego renovado e na tentativa de influenciar a eleição das mesas do Senado e da Câmara. A movimentação faz parte do jogo sucessório de 2022.

André Pereira César
Cientista Político

Comments are closed.