Política e economia em oito pontos

. O Brasil continua a ser o epicentro do novo Coronavírus. Já são mais de um milhão de infectados e com 52 mil mortos. A pandemia agora avança pelo interior, e não há, de imediato, perspectivas de melhora do quadro.

. Cotado para assumir o ministério da Educação, o atual secretário de Educação e Esporte do Paraná, Renato Feder, reuniu-se com o presidente Jair Bolsonaro. Filiado ao PSD de Gilberto Kassab, ele é favorável à implementação de escolas cívico-militares em todo o país. Seu perfil, em tese, agrada ao titular do Planalto.

.  O Senado Federal aprovou o adiamento, de outubro para novembro, das eleições municipais de 2020, em função da pandemia. A matéria será apreciada agora pela Câmara dos Deputados, mas nessa Casa há resistências. Os prefeitos querem a manutenção das datas originais do pleito ou a prorrogação automática de seus mandatos, mas não o adiamento de um mês.

. O Senado Federal discute ainda o projeto de lei que estabelece um novo marco legal para o saneamento básico. A medida ganhou urgência após a eclosão da pandemia do novo Coronavírus. A matéria, no entanto, é polêmica. Seus críticos, entre eles os partidos de esquerda, acreditam que ela permitiria a privatização do setor, pois poderá facilitar a entrada da iniciativa privada nesse mercado.

. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu arquivar ação, de autoria do PT, que pedia a cassação da chapa Bolsonaro/Mourão pelo suposto uso irregular de outdoors na campanha eleitoral de 2018. A decisão, tomada por unanimidade, indica mudanças de rumo na Corte, e as outras sete ações em discussão que pedem o afastamento do presidente da República e de seu vice, correm sério risco de também serem arquivadas.

. De acordo com o jornal britânico Financial Times, cerca de trinta instituições financeiras de todo o mundo exigem que o governo brasileiro freie o crescente desmatamento na Amazônia. Essas instituições falaram na “incerteza generalizada sobre as condições para investir ou fornecer serviços financeiros ao Brasil”. O posicionamento dos investidores reforça a percepção de que o Brasil se afasta mais e mais da comunidade internacional. A pressão sobre o presidente Bolsonaro e seu ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tende a aumentar.

. Em manifestação encaminhada à Polícia Federal, o ministro do Gabinete De Segurança Institucional, Augusto Heleno, assegurou que o presidente Bolsonaro não teve obstáculos ou embaraços para mexer na equipe que faz sua segurança pessoal. Essa declaração enfraquece a defesa do titular do Planalto, que diz ter sido esse o motivo de sua reação na famigerada reunião ministerial de 22 de abril, quando ameaçou intervir em órgãos de inteligência. Assim, fica cada vez mais evidente a ingerência presidencial na Polícia Federal.

. A mulher de Fabrício Queiroz, Márcia Oliveira de Aguiar, continua foragida. Ela é considerada uma peça-chave e uma ameaça para as investigações em curso em torno do esquema das rachadinhas. Queiroz, que está preso, afirmou que só falaria sobre as irregularidades caso sua esposa seja presa. O caso isola ainda mais o presidente Bolsonaro, que tem muito a perder com o avanço das investigações.

André Pereira César

Cientista Político

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