Palanques estaduais na sucessão presidencial*

A construção de bons palanques será fundamental para as candidaturas presidenciais na campanha que se inicia. Cinco estados em especial são estratégicos para os postulantes ao Planalto.

Em São Paulo, as duas principais candidaturas presidenciais trabalham para consolidar suas posições. Do lado do ex-presidente Lula (PT), a liderança de Fernando Haddad (PT) na disputa pelo governo estadual representa importante trunfo.  No entanto, a questão envolvendo o ex-governador Márcio França (PSB), ainda no jogo paulista, precisa ser rapidamente solucionada. O socialista, muito próximo ao candidato a vice de Lula, Geraldo Alckmin (PSB), deverá se reposicionar e tentar o Senado Federal. Um movimento que, em tese, além de agradar a todos, enfrentaria o candidato oficial de Bolsonaro, o apresentador José Luiz Datena (PSC).

No campo do presidente Jair Bolsonaro (PL), o ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos) ganha força na campanha eleitoral e pode receber dois importantes reforços, com os anunciados apoios do União Brasil e do PP - ambos, hoje, com o governador Rodrigo Garcia (PSDB), que, apesar de ocupar a cadeira do Palácio dos Bandeirantes, não decola. No limite, a disputa em São Paulo caminha para reproduzir o quadro de polarização nacional.

Minas Gerais sempre foi essencial para a definição do pleito nacional – tradicionalmente, quem ganha em Minas ganha as eleições –, e não está sendo diferente agora. Lula conseguiu o apoio do ex-prefeito Alexandre Kalil (PSD), o que o aproximou do partido de Gilberto Kassab no plano nacional. Por outro lado, Bolsonaro negocia com o governador Romeu Zema (Novo), que não se sente confortável e por isso ainda impõe condições para o entendimento. As conversas seguem.

Já o Rio de Janeiro assiste a movimentos no mínimo interessantes. Em tese aliado do titular do Planalto, o governador Cláudio Castro (PL) flerta com o ex-presidente Lula e já apoia abertamente o candidato petista ao Senado Federal, André Ceciliano. No campo da oposição, o deputado Marcelo Freixo (PSB) tenta quebrar resistências a seu nome e negocia a vice em sua chapa com o veterano César Maia (PSDB), ex-prefeito da capital fluminense. No atual quadro, o presidente Bolsonaro corre o sério risco de ser derrotado em seu próprio estado.

Pernambuco é outra frente de batalha relevante para a disputa nacional. A ex-petista Marília Arraes, hoje no Solidariedade, ganha espaço na centro-esquerda e conta inclusive com o apoio de Lula – não bastasse isso, ela aparece na frente nas pesquisas de intenção de voto. O PSDB tem na ex-prefeita Raquel Lyra sua postulante, com chances reais de chegar ao segundo turno. Interessante notar que o PSB, partido que comanda há tempos o estado, tem uma candidatura que não ganha tração – Danilo Cabral não atingiu os dois dígitos nas pesquisas. Por fim, o ex-prefeito Anderson Ferreira (PL), aliado de Bolsonaro, também não empolga. A exemplo de outros estados da região Nordeste, Pernambuco é uma espécie de cidadela das forças políticas de esquerda.

Finalmente, o Rio Grande do Sul, por ora, dá sustentação ao presidente Bolsonaro. O ex-ministro Onyx Lorenzoni (PL), fiel aliado do titular do Planalto, tem mais de 20% das intenções de voto. No entanto, quando o errático ex-governador tucano Eduardo Leite tem seu nome citado, a situação muda - o nome do PSDB mantém a força política entre os gaúchos. O PT, por seu turno, lançará o deputado estadual Edegar Pretto, sem grandes pretensões, mas que garantirá um palanque a Lula. O Sul do país é território amplamente favorável a Bolsonaro.

Como se vê, a disputa nas principais praças terá grande peso na definição do novo presidente da República. Não por acaso, Lula e Bolsonaro têm concentrado suas agendas nesses locais.

André Pereira César

Cientista Político

Alvaro Maimoni

Consultor Jurídico

*Tema da live do dia 9 de junho de 2022, disponível no nosso canal no YouTube

Comments are closed.