Os rumos do PSDB

Após o fiasco eleitoral de 2018, seria mais que natural uma mudança de curso do PSDB. Na prática, essa alteração de rota teve início na semana passada, com a escolha do novo comando nacional da agremiação, que contou com a presença do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM/RJ).

Apenas para relembrar, nas eleições passadas o candidato à presidência pelo partido, Geraldo Alckmin, teve desempenho pífio e recebeu menos de 5% dos votos. Além disso, a bancada federal encolheu de maneira significativa, com vários antigos caciques derrotados.

O principal responsável pelas mudanças é o governador paulista João Dória, hoje a figura de proa do partido. Abertamente de olho na sucessão presidencial de 2022, ele colocou na direção tucana apenas nome de sua mais estrita confiança. O presidente é o ex-deputado e ex-ministro Bruno Araújo, pernambucano representante da ala jovem da legenda, os chamados “cabeças pretas”. Também o ex-prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando, aliado de primeira hora de Dória, integra a executiva.

Para compensar a renovação, todos os ex-presidentes do partido terão assento na executiva. Não está claro ainda o peso que terão nas decisões partidárias. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso está no grupo.

Por falar em Cardoso, ele publicou extenso artigo no jornal O Estado de São Paulo no domingo, 2 de junho. Ali, ele defende que o partido atualize suas diretrizes e práticas. O ex-presidente afirma ainda que o PSDB pode até mudar de nome, mas isso de pouco adiantará sem a mudança de propósitos partidários.

Uma questão em aberto diz respeito a uma possível fusão com o DEM. O tema chegou a ganhar força meses atrás, mas lideranças demistas preferem discutir o caso somente a partir do próximo ano.

O fato é que, em sua nova configuração, o PSDB caminha do centro para a centro-direita, deixando para trás, em definitivo, o modelo pensado por Mário Covas, Franco Montoro e outros, quando da fundação do partido, em 1988.

A grande pergunta agora é: terá Dória condições políticas e pulso para conduzir a legenda? O tempo dirá.

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