O projeto político de Wilson Witzel

A imagem é das mais marcantes desse mês de agosto que chega ao fim. Tão logo o sequestro de um ônibus foi encerrado na Ponte Rio-Niterói, com o sequestrador abatido por um atirador de elite, o governador Wilson Witzel desce de um helicóptero e, sob aplausos de populares que acompanhavam o drama, comemora como se houvesse feito um gol. A cena chocou a muitos, mas boa parte da população comemorou junto com o governador. Witzel representa como poucos o atual quadro de polarização política.

Na campanha eleitoral de 2018, ele surfou na onda conservadora e, filiado ao pequeno PSC, derrotou velhos caciques da política fluminense e elegeu-se governador. Advogado, ex-juiz federal e ex-fuzileiro naval, ele atua com desenvoltura em seu primeiro mandato eletivo.

Aos 51 anos de idade, Witzel coleciona polêmicas. O foco central de sua administração é a segurança pública. Em uma espécie de “tolerância zero”, a polícia tem agido de maneira inclemente, gerando muitas vítimas inocentes nas comunidades carentes. Tudo com o aval do governador, que chegou a falar em “jogar mísseis em favelas”. Um exagero de retórica, claro.

Para além da segurança pública, o governo estadual pouco conseguiu, até o momento, no enfrentamento da grave crise fiscal fluminense. As contas públicas seguem caóticas, com os cidadãos sentindo no cotidiano uma dura realidade.

É inegável que o governador projeta voos mais altos. A presidência da República está há meses no radar. Dois nomes disputam a mesma faixa do eleitorado de Wizel - o presidente Jair Bolsonaro, que ele critica por suas falas; e o governador tucano João Dória, seu desafeto e que certa vez chamou-o de “Rambo”.

Enfim, para alçar novos voos em âmbito nacional, Witzel precisa realizar algumas correções de rota. Duas em especial são essenciais. Primeiro, tornar-se conhecido em todo o país, indo além do universo do Rio de Janeiro. Segundo, ampliar o discurso (e a prática), hoje basicamente focado na segurança pública. O Brasil tem outros problemas urgentes.

Se Witzel irá superar essas limitações, só o tempo dirá.

André Pereira César
Cientista Político

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