O futuro político de Bolsonaro no curto prazo

É fato incontestável que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) atravessa seu melhor momento desde que assumiu o governo, no início de 2019. Com a melhora da popularidade e os potenciais adversários não conseguindo encaixar um discurso forte de oposição, o titular do Planalto avança em seu projeto para 2022. No entanto, há riscos no horizonte.

Ao menos quatro questões a serem definidas em breve podem impulsionar ou, ao contrário, atrapalhar os planos presidenciais. São eles as eleições municipais, a sucessão norte-americana, a reação da economia em meio à pandemia e a disputa pelo comando do Congresso Nacional.

As eleições municipais podem marcar uma fragorosa derrota política para Bolsonaro. Ao apoiar dois candidatos conservadores e integrantes do establishment político, o presidente assumiu um grande risco. Em São Paulo, Celso Russomanno (Republicanos), e, no Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), pública e formalmente apoiados por Bolsonaro, apresentam elevados índices de rejeição e, com isso, são reais as chances de serem derrotados no pleito. O presidente, além de perder o palanque nas duas maiores cidades do país, ainda colocará em dúvida a força do seu capital político.

No que diz respeito à sucessão nos Estados Unidos, o que está em jogo é a aposta de Bolsonaro na aproximação com o republicano Donald Trump. Em queda nas pesquisas e realizando uma gestão caótica, o presidente norte-americano pode perder a disputa de novembro. Seu adversário, o democrata Joe Biden, já sinalizou que revisará as relações com o Brasil, em especial quanto à questão ambiental. Na política externa, o brasileiro caminha a passos largos para sofrer um revés considerável.

A pandemia continua a ser um problema de difícil solução para o governo. Com mais de 150 mil mortes, o Planalto segue focando suas ações no combate aos danos na economia, sob o argumento de que a pandemia encontra-se sob controle. Aqui há um dilema - quais instrumentos Bolsonaro terá em mãos tão logo o auxílio emergencial seja encerrado, no final do ano? Boa parte da popularidade do presidente é consequência direta da injeção de dinheiro na economia, em especial para os estratos mais vulneráveis da sociedade, e a interrupção súbita do programa pode cair como uma bomba para milhões de brasileiros. Trata-se da questão mais sensível para o Planalto.

Por fim, a disputa pelas presidências da Câmara dos Deputados e do Senado Federal ditará o futuro das relações entre o Planalto e o Congresso. Na Câmara, a vitória de um aliado do atual titular, Rodrigo Maia (DEM/RJ), significará o enfraquecimento de Bolsonaro. No Senado, o fiel Davi Alcolumbre (DEM/AP) ainda precisa conseguir viabilizar no plano legal a sua recandidatura. Qualquer outro nome joga o governo em uma zona de incerteza.

Assim, a atual zona de conforto pode ser enganosa para o governo. O quadro inspira cuidados e, dadas as projeções, 2021 será um ano difícil para o Planalto.

André Pereira César
Cientista Político

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