Notas políticas – presente e futuro

. O placar foi mais que expressivo. Por 69 votos, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro autorizou a continuidade do processo de impeachment do governador fluminense Wilson Witzel (PSC), evidenciando a força do bolsonarismo no Rio de Janeiro. O prefeito da capital, Marcelo Crivella (Republicanos), por sinal, escapou do impeachment e, com o apoio velado do presidente da República, tem chances reais de se reeleger, mesmo estando inelegível por conta da condenação, por unanimidade, pelo Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Rio de Janeiro, por abuso de poder econômico e conduta vedada a agente público.

. A mais recente pesquisa Ibope confirmou a ascensão de Bolsonaro. De acordo com o levantamento, 40% dos brasileiros consideram seu governo “ótimo” ou “bom”. A grande questão está aberta - terá o governo condições de manter o apoio popular tão logo a ajuda emergencial seja encerrada?

. Eleições municipais - é fato que o pleito do final do ano terá impacto na cena política nacional. Especialmente em São Paulo, o resultado estabelecerá o processo sucessório de 2022. Celso Russomanno (Republicanos), apoiado por Bolsonaro, contra Bruno Covas (PSDB), aliado do governador João Dória (PSDB), lideram as pesquisas, enquanto a esquerda aposta suas fichas em Guilherme Boulos (PSOL).

. Reformas - as reformas administrativa e tributária seguem enfrentando dificuldades no Congresso Nacional. As duas proposições são polêmicas e estão longe de um mínimo consenso político. Elas seguirão em debate no Parlamento ao longo de 2021.

. Bolsonaro na ONU - o discurso do presidente brasileiro na ONU segue repercutindo negativamente. A retórica negacionista de Bolsonaro isolou ainda mais o Brasil na comunidade internacional. De referência na área ambiental, o país se transformou em pária. Quanto à pandemia, o Brasil é exemplo do que não se deve fazer.

. Eleições norte-americanas - o processo sucessório nos Estados Unidos está longe de definido. A vantagem do democrata Joe Biden parece frágil e o atual presidente, Donald Trump, se escora em um discurso conservador para recuperar o terreno perdido. Uma eventual derrota de Trump terá grande impacto sobre a onda populista que assolou o planeta, inclusive e principalmente no Brasil.

André Pereira César

Cientista Político

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