Em Busca do Equilíbrio Perdido – Um Presidente em Isolamento Social

Em meio ao agravamento da crise gerada pelo novo Coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro segue se comportando de maneira errática. O titular do Planalto continua a reboque dos fatos e se isola política, econômica e socialmente.

Na verdade, o que se vê é um presidente atônito, que foi ofuscado por outros atores políticos - em especial pelo ministro da Saúde, por governadores e prefeitos, pelo Congresso Nacional e até mesmo pelo Supremo Tribunal Federal. Bolsonaro se mostrou menor do que a estatura que seu cargo exige.

As medidas desencontradas dão o tom do quadro atual no Planalto. São meros paliativos que não vão ao centro da crise. Muitas palavras vazias e pouca ação concreta. Aqui se incluem o ministro da Justiça e Segurança Pública e o ministro da Economia. A injustificável demora na sanção do projeto de lei de ajuda financeira aos mais carentes é um exemplo claro dessa realidade.

As críticas vêm de todos os lados. A relutância de Bolsonaro em encarar de frente a crise sanitária, tem gerado duras manifestações da ONU, da OMS, de diversos outros chefes de Estado, de lideranças políticas e de ministros das Cortes Superiores.

O distanciamento da realidade mundial é tão grande que o jornal Washington Post recentemente abriu espaço para um artigo em que se pedia o impeachment do presidente brasileiro. Aliás, diversos pedidos de afastamento de Bolsonaro foram protocolados na Câmara dos Deputados nas últimas semanas. Aguardam manifestação do presidente da Casa, deputado Rodrigo Maia (DEM/RJ).

Maia, por sua vez, em recente teleconferência promovida pelo Bradesco BBI, afirmou que o governo do presidente Jair Bolsonaro não tem mais apoio no Congresso Nacional.

Nas redes sociais, campo em que Jair Bolsonaro sempre “nadou de braçada”, derrotas também tem sido contabilizadas. O Twitter, Facebook e Instagram apagaram posts do presidente Bolsonaro por entenderem que as postagens criaram desinformação que poderiam causar danos reais às pessoas diante de pandemia do COVID-19.

O próprio aspecto físico do presidente demonstra o atual estado de espírito. Nervoso, irritadiço e com os olhos injetados, ele não passa segurança à nação. Na verdade, ele tem se comunicado basicamente com seu eleitorado mais cativo e ideológico. Muito pouco para o momento em que se exige um governo para todos.

Nesse contexto, chama a atenção a movimentação de muitos “adversários” de Bolsonaro. Da direita tradicional à esquerda, passando pelo centro, o establishment político começou a dar as caras. O maior símbolo disso foi a recente troca de gentilezas entre o governador paulista João Dória (PSDB) e o ex-presidente Lula.

A crise é grave e se espera um mês de abril bastante difícil, tanto na saúde quanto na economia. Bolsonaro mostra-se sem forças, sem a capacidade de reação que se espera de um presidente para comandar o país. Na contramão do planeta, ele caminha para o isolamento total.

André Pereira César

Cientista Político

Alvaro Maimoni

Consultor Jurídico

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