Eleições: estado atual da disputa no “Triângulo das Bermudas”

O chamado “Triângulo das Bermudas” da política brasileira - os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro - será, mais uma vez, de fundamental importância para os resultados das eleições de outubro próximo. Por conta disso, as duas principais candidaturas (Lula e Bolsonaro) concentram boa parte de suas ações nessa região. Abaixo, um rápido panorama do quadro atual da disputa nos três estados.

São Paulo

A disputa pelo comando do estado com o maior eleitorado do país reproduz em parte a polarização que se vê no âmbito nacional. De acordo com a última pesquisa do DataFolha, realizada no final de junho, o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) aparece com 28% das intenções de voto, seguido por Márcio França (PSB), com 16%, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com 12%, e Rodrigo Garcia (PSDB), com 10%. Sem França no jogo, o petista sobe para 34%, e Freitas e Garcia empatam em 13%.

A possível desistência do ainda pré-candidato do PSB, que foi governador e é aliado de Alckmin, é o movimento mais aguardado no momento. Interlocutores afirmam que ele está disposto a abrir mão de tentar o governo para disputar vaga no Senado Federal. Com a saída do eterno pré-candidato José Luiz Datena (PSC), até então favorito a conquistar a cadeira na Câmara Alta, França tem novo estímulo para alterar sua rota.

Tanto o presidente Jair Bolsonaro (PL) quanto o ex-presidente Lula (PT) avaliam que a vitória em terras paulistas será crucial para o projeto nacional. Ambos apostam todas as fichas em seus candidatos. Por outro lado, o quadro atual ilustra bem a decadência do PSDB - o tucanato não perde eleições no estado desde 1994, e caminha hoje para uma fragorosa derrota em outubro.

Minas Gerais

Em Minas Gerais, o governador Romeu Zema (Novo) lidera com folga, com 48% das citações, de acordo com o DataFolha. Em segundo lugar aparece o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), com 21%. Os demais postulantes não atingem os dois dígitos e são meros coadjuvantes na disputa.

Kalil aposta em dois elementos para ao menos reduzir a vantagem de Zema - tornar-se conhecido junto ao eleitorado do interior do estado e reforçar a presença de Lula em seu palanque. O governador, por sua vez, tem como principal ativo o baixo índice de reprovação da atual administração - 13%, contra 50% de aprovação.

Cabe ressaltar que a eleição de Zema em 2018 deu-se, em larga medida, em função da onda de “renovação da política”, que inclusive contribuiu para a chegada de Bolsonaro ao Planalto. Essa situação não se repetirá agora e, por conta disso, o governador ainda está em dúvida se sobe no mesmo palanque do presidente da República.

Rio de Janeiro

A sucessão no Rio de Janeiro está absolutamente indefinida. Segundo o DataFolha, o governador Cláudio Castro (PL) aparece com 23% das intenções de voto, tecnicamente empatado com o deputado Marcelo Freixo (PSB), que tem 22%. Em um distante terceiro lugar aparece Rodrigo Neves (PDT), com 7%. A disputa se dará entre os dois líderes, como se vê.

O quadro de alianças é complexo e, no momento, vive-se um impasse. Apesar de pertencer ao partido de Bolsonaro, o governador evita criticar Lula - não por acaso, ele mantém boas relações com o pré-candidato petista ao Senado Federal, o deputado estadual André Ceciliano. Por outro lado, o nome do PSB para a Câmara Alta, deputado Alessandro Molon, tem sido alijado das negociações. O ambiente é de confusão.

Para Bolsonaro, a eventual vitória de seu partido no Rio de Janeiro, base eleitoral do presidente, teria forte simbolismo.

Considerações finais

As próximas semanas serão cruciais para a definição de candidaturas e palanques no “Triângulo das Bermudas”. Alianças consistentes nos três estados representam uma boa posição na largada oficial da campanha, em agosto.

André Pereira César
Cientista Político

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