Depois do recesso

Encerrado o recesso parlamentar, o segundo semestre tem início com uma agenda cheia no âmbito da política. Governo e oposição batalharão por mais espaço e o objetivo final é um só - ganhar musculatura para o processo sucessório que se avizinha.

No Senado Federal, as atenções estarão voltadas para a CPI da Covid, cujos trabalhos foram prorrogados por mais três meses. O foco dos senadores está concentrado nos indícios de irregularidades na aquisição de vacinas. A palavra “corrupção” entrou no léxico do governo Bolsonaro e as investigações devem desgastar ainda mais o Planalto.

Na Câmara dos Deputados, dois projetos deverão ser apreciados muito em breve - a privatização dos Correios e o projeto que altera as regras do Imposto de Renda. A venda da estatal representará uma vitória para o ministro da Economia, Paulo Guedes, que vem colecionando reveses nos últimos meses. Já o projeto do IR representa um importante passo para uma reforma tributária mais ampla. Boas notícias para o governo.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou por unanimidade duas medidas contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Foi determinada a abertura de um inquérito administrativo em razão das infundadas acusações de fraude no sistema eleitoral e pedida a inclusão do titular do Planalto no processo das Fake News, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). No limite, o desfecho dos inquéritos poderá acarretar impugnação do registro da candidatura de Bolsonaro à reeleição. Demorou, mas o Judiciário finalmente apresentou suas armas.

As próximas rodadas das pesquisas de opinião pública serão fundamentais para a definição das candidaturas presidenciais. O ex-presidente Lula (PT) deverá consolidar seu nome na disputa e a chamada terceira via apostará no nome mais viável politicamente - o governador paulista João Dória (PSDB) tem registrado ligeira melhora nos últimos levantamentos e tem grandes chances de entrar de vez na disputa.

Ainda sobre as pesquisas, a popularidade do presidente da República continuará a ser testada. A aposta do Planalto é que a recente reforma ministerial, mesmo com a entrada de vez do Centrão no governo, deverá conter a queda nos índices de aprovação de Bolsonaro.

Indicado para o Supremo Tribunal Federal, o ex-ministro da Justiça e atual Advogado-Geral da União, André Mendonça, segue seu périplo junto aos senadores, na tentativa de ganhar votos, inclusive dos senadores do PT e da Rede. Interessante notar que o Planalto não tem se empenhado na defesa de seu nome.

Por fim, aguarda-se intensa dança de cadeiras entre os partidos. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, deverá deixar o DEM e ingressar no PSD de Gilberto Kassab. Já o presidente Bolsonaro segue sem partido e, hoje, negocia em especial com duas legendas, o PP e o PTB.

Importante observar que a agenda e os movimentos no segundo semestre na economia, na política e no Judiciário serão determinantes e influenciarão diretamente o processo sucessório e as reações de Bolsonaro e do seu entorno mais íntimo.

André Pereira César
Cientista Político

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