BRICS: um olhar político

O evento mais relevante da semana, encurtada pelo feriado de 15 de novembro, é a reunião dos BRICS, que ocorre em Brasília. O encontro mudou a rotina da capital, com a decretação de ponto facultativo para boa parte do funcionalismo. Mas a questão vai muito além.

Em primeiro lugar, cabe ressaltar que a reunião se dá em meio a uma grave crise política no continente. Países como Chile, Bolívia e Venezuela atravessam períodos de convulsão social. Importante lembrar que os dois últimos, em especial, são alinhados com Rússia e China, integrantes chave dos BRICS.

Na manhã desta quinta-feira, 14 de novembro, serão realizadas duas sessões entre os chefes de governo e de Estado. Um dos temas em discussão será o Novo Banco de Desenvolvimento, também conhecido como “Banco dos BRICS “.

Igualmente importante é a esperada “Declaração de Brasília”. O documento, em fase de elaboração, tratará de questões sensíveis da geopolítica mundial, como as mudanças climáticas e os conflitos internacionais. Uma dúvida está no ar - como o governo Bolsonaro encaminhará determinados temas, como a própria questão do aquecimento global? Além disso, os recentes protestos em Hong Kong incomodam a China, e o problema da Caxemira é uma pedra no sapato da Índia. Não se sabe se eles serão abordados.

Outro ponto relevante da reunião dos BRICS diz respeito a acordos bilaterais. As conversas entre Brasil e China visando o estabelecimento de uma área de livre comércio entre os dois países já geram ruídos. Pelas regras do Mercosul, esse acordo deverá incluir os outros integrantes do bloco. Além disso, setores da economia brasileira temem uma “invasão chinesa”, com efeitos danosos para nossa indústria que acusam o chamado “custo Brasil” como um dos responsáveis pela falta de competitividade dos produtos brasileiros. Por isso a urgente e necessária reforma tributária deverá ser uma das protagonistas dos debates no parlamento.

Em suma, o governo Bolsonaro enfrenta um interessante desafio na reunião dos BRICS. Em um momento de claro realinhamento do Brasil com os Estados Unidos, as conversas com China e Rússia ganham um significado especial. O resultado final desse processo ainda está por ser conhecido.

André Pereira César
Cientista Político

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