Afogando em números

Os últimos dias foram recheados de números. Dos indicadores da popularidade aos pedidos de impeachment, passando pelos mortos pela Covid-19, há muita informação a ser esmiuçada.

39 pedidos de impeachment - as solicitações de afastamento de Jair Bolsonaro da presidência da República não param de chegar à Câmara dos Deputados. Um movimento importante ocorreu com a apresentação do pedido por partidos de esquerda requerendo o afastamento do titular do Planalto. Para o governo, o ambiente fica pior a cada dia.

1.188 mortos - o Brasil tornou-se, em definitivo, o novo epicentro da pandemia. Na quinta-feira, 21 de maio, foram registradas 1.188 mortes causadas pela Covid-19. No total, o país soma mais de vinte mil óbitos, e a expectativa geral é a de que esse número aumente de vertiginosamente. Enquanto isso, o ministério da Saúde segue comandado por militares e o presidente insiste no uso de uma medicação sem comprovada eficácia científica e por isso rejeitada em outros países.

27 governadores e 1 presidente - a reunião virtual entre os governadores e o presidente teve um saldo final positivo. Por ora, o ambiente de beligerância está deixado de lado e as partes entenderam ser urgente um entendimento visando o combate aos efeitos do novo Coronavírus. Mesmo assim, há ajustes a ser efetuados em torno dos termos do socorro federal a estados e municípios - portanto, novas rusgas seguem no horizonte.

11 homens e algumas sentenças - na linha adotada há algum tempo de rever algumas decisões do governo, desde que provocado, o Supremo Tribunal Federal decidiu que agentes públicos poderão ser punidos caso adotem medidas contrariando critérios técnicos e científicos durante a pandemia. A posição da Corte derrubou, em parte, a média provisória que blindava o governo e todos os demais agentes por atos adotados durante a crise.

1 vídeo a ser conhecido - a divulgação do vídeo da já famosa reunião ministerial de 22 de abril mobiliza corações e mentes do país. A decisão do ministro Celso de Mello impactará fortemente o mundo político e trará, inevitavelmente, graves consequências para o atual governo.

2 celulares suspeitos - o mesmo ministro Celso de Mello solicitou à Procuradoria-Geral da República a apreensão dos celulares do presidente e de seu filho Carlos. O ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, emitiu dura nota criticando a decisão do STF, onde afirma que tal ato (apreensão), poderá trazer consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional. Mais um elemento a se somar ao já complexo quadro em torno de Bolsonaro.

50% de avaliação negativa - a pesquisa XP/Ipespe aponta uma erosão do apoio popular a Bolsonaro. Em poucas semanas, a avaliação positiva caiu de 27% para 25%, enquanto a negativa oscilou de 49% para 50%. Pode parecer pouco mas, em meio ao agravamento da crise do novo Coronavírus e à falta de comando na Saúde, tende a piorar ainda mais o quadro do presidente.

André Pereira César

Cientista Político

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