Negociação para reforma da previdência se inicia com congresso fortalecido

NEGOCIAÇÃO PARA REFORMA DA PREVIDÊNCIA SE INICIA COM CONGRESSO FORTALECIDO

São Paulo, 20/02/2019 - Após a entrega da proposta da reforma da Previdência, nesta
manhã pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), a negociação entre Poder Executivo e
Legislativo terá início com um dos lados mais fortalecido, avalia o analista político André
César, da Hold Assessoria Legislativa.

"Neste momento, o Congresso está mais forte na negociação e já mandou um recado
importante ontem, na votação sobre sigilo de documentos oficiais", disse ao Broadcast.
Ele ponderou que a derrota de ontem não gera impacto fiscal ou econÔmico, mas tem um
impacto muito forte no plano simbólico.

Neste contexto, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, eleito à presidência da Casa com
ampla maioria dos votos, se coloca como figura fundamental para o avanço da agenda de
reformas do governo. "Na votação de ontem, já ficou claro que ele sabe que terá
dividendos na negociação das reformas. Ele é muito experiente, rodado, e sabe ler os
sinais", apontou César.

"O governo já está muito atabalhoado desde seu início, são muitos casos polêmicos, o que
deixa claro que há um campo a ser explorado", comentou, citando denúncias envolvendo o
assessor parlamentar de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz e o vazamento de conversas
entre Bolsonaro e o ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno.

Para César, o governo Bolsonaro terá de ceder na promessa de campanha em negociar
apenas com as bancadas temáticas, preterindo barganhas com os partidos políticos. "Nosso modelo de presidencialismo de coalizão não comporta este tipo de negociação. As
bancadas temáticas são importantes e têm sua força, porém é mais concentrada em pautas
específicas", explicou. "Nas questões mais amplas, como são a reforma da Previdência e a
tributária, o Executivo tem que negociar com as bancadas partidárias, seus líderes e
entender quais são as condições."

Com a proposta apresentada, o analista político avalia que a equipe econômica comandada
por pelo ministro Paulo Guedes incluiu alguns 'bodes' na proposta já sabendo que ela será
objeto de negociação com parlamentares. "Guedes tem se mostrado muito pragmático e já
entendeu que precisa costurar a aprovação da reforma", disse.

"Ainda não dá para dizer quanto o governo vai ceder, mas é certo de que o fará. Por cima,
o governo encheu de 'bodes' para negociar já sabendo que não vão ficar no texto final e
pode tirar. Este é o espírito da coisa", apontou César. "Grandes reformas começam em
aberto. Inicia de um jeito, mas sai diferente e a intenção original é desidratada", afirmou o
analista da Hold.

Fonte: Broadcast/Agência Estado

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