Reflexões sobre o DataFolha

A mais recente rodada do DataFolha, cujos números foram apresentados no último domingo, confirma a tendência já verificada em outra pesquisa, do XP/Ipespe, conforme análise publicada no dia 5 de abril e disponível aqui no nosso site. Em ambas nota-se a corrosão do capital político do presidente Bolsonaro.

De acordo com o levantamento, cujo campo ocorreu nos dias 2 e 3 de abril, 30% dos entrevistados consideram o governo ruim ou péssimo. Já para 32%, a administração é boa ou ótima. Por fim, 33% tem uma avaliação regular.

Segundo o instituto, essa é a pior avaliação de um presidente em início de mandato, desde a redemocratização com o governo Collor em 1990. As razões para esse quadro são claras - crise política permanente e dificuldades na economia. No comando do Planalto, Bolsonaro enfrenta problemas de toda ordem.

Soma-se a isso a impopular agenda governista, em especial no que diz respeito à reforma da Previdência. Apesar disso, 59% se mostram otimistas com relação ao futuro da gestão Bolsonaro - antes da posse eram 65% com essa avaliação.

Em comparação, o vice-presidente Hamilton Mourão tem rejeição menor - 18%. Mas ele é pouco conhecido. Nada menos que 59% dos entrevistados sequer conhecem seu nome. O perfil discreto do vice explica em larga medida esses números.

É evidente que o ambiente de euforia pós-eleitoral está se esfumaçando. O presidente precisa sentar na cadeira e assumir o protagonismo. Tarefa até agora delegada. A influência de seus três filhos também precisará ser revista. Declarações de seus ministros e de membros de seu partido (PSL), deverão ser contidas. Do contrário, os números serão cada vez piores para Bolsonaro.

André Pereira César
Cientista Político

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