A oposição se move

A oposição vem mantendo uma postura discreta em relação ao governo Bolsonaro. A crise política gerada pelo próprio governo e amplificada por seus apoiadores, tem recebido apenas comentários pontuais dos partidos de esquerda. Essa situação poderá mudar em breve, porém.

São três as frentes de ação no radar da oposição. Elas se comunicam entre si e têm como objetivo final a retomada do protagonismo político do grupo, que perdeu algum espaço para Bolsonaro e seus aliados.

A primeira frente diz respeito ao governo Bolsonaro como um todo. Partidos como PT, PDT, PSB, PCdoB e PSOL unificarão suas ações contra o Planalto. Medidas consideradas equivocadas, como as mudanças de rumo da política externa do Brasil, por exemplo, serão mais fortemente questionadas por essas agremiações. A ordem é aparecer mais para o eleitorado, marcando posição e ganhando espaço.

Essa nova postura deságua na segunda frente, que é a reforma da Previdência, o principal item da agenda governista. Apoiada por setores organizados da sociedade, a oposição já está cerrando fileiras contra a proposta. O embate será duro ao longo dos próximos meses, e a capacidade de união da oposição enfrentará aí seu mais importante teste.

Por fim, lideranças da oposição têm discutido, nas últimas semanas, a união dos partidos nas eleições municipais de 2020. O grupo pretende fazer um contraponto a Bolsonaro. É do conhecimento geral que, apesar da crise política, o presidente ainda tem condições de ser o mais importante cabo eleitoral nesse processo.

Para a disputa eleitoral do próximo ano, nomes já são aventados. Em geral fala-se de jovens lideranças da esquerda, como o petista Alexandre Padilha (experiente apesar da pouca idade) e a pedetista Tabata Amaral. Nessa frente, destacam-se ainda a deputada Sâmia Bomfim (PSOL/SP) e o deputado Felipe Rigoni (PSB/ES).

Cabe ressaltar aqui que também a direita tem jovens lideranças em seus quadros. Os deputados Felipe Francischini (PSL/PR), Fábio Schiochet (PSL/SC) e Marcel Van Hattem (Novo/RS) injetam sangue novo na política nacional.

O debate político entre esquerda e direita torna-se mais qualificado quando esse jovem grupo se encontra.

Com relação à oposição, ainda restam muitas dúvidas sobre a capacidade de coesão do grupo. Algumas feridas das eleições passadas seguem abertas. A união da esquerda, porém, é de extrema importância para o futuro político imediato desses partidos.

André Pereira César
Cientista Político

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