FLÁVIO ROCHA

FLÁVIO ROCHA

Setores do mundo político seguem a busca por um candidato de centro para chamar
de seu. Após a anunciada desistência de Luciano Huck, outros nomes começam a ser
testados. Um desses potenciais pré-candidatos é Flávio Rocha, ainda sem partido.

Nascido em Recife (PE) em fevereiro de 1958, Flávio Gurgel Rocha é empresário. Ele
preside as Lojas Riachuelo, uma das maiores redes de moda do país. Além disso, é vicepresidente
de Relações com os Investidores do Grupo Guararapes e integra o conselho
do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV). A fortuna de sua família é
avaliada em US$ 1,3 bilhão, segundo a Forbes.

Além das atividades empresariais, Rocha tem experiência em política. Ele foi deputado
federal por dois mandatos, primeiro pelo PFL (Constituinte) e depois pelo PRN do
então presidente Collor. Em 1994 chegou a se pré-candidatar à presidência da
República pelo PL, mas desistiu quando seu partido anunciou o apoio a Fernando
Henrique Cardoso.

Apesar de ter nascido em Pernambuco, Rocha tem como base o Rio Grande do Norte.
Rocha é uma figura polêmica. Foi dos primeiros a apoiar a candidatura de João Dória à
prefeitura de São Paulo e também dos primeiros a defender o impeachment de Dilma
Rousseff.

O que pensa Rocha? Ele é favorável ao livre mercado, inclusive como instrumento de
combate à corrupção. Além disso, defende um Estado mínimo. Em suma, é pró agenda
liberal na economia e conservador nos valores e costumes.

Tanto que lançou recentemente em Nova York um movimento de participação de
empresários na política como Luiza Trajano, Roberto Justus e Walter Torre, chamado
Brasil 200, que defende uma agenda que permita, por exemplo, o porte de armas mas
que, ao mesmo tempo, tenha um posicionamento conservador em relação a questões
de gênero. Nas palavras de Flávio Rocha, “Não se ganha eleição se não tiver coragem
de se posicionar contra o marxismo cultural.”

Esse lado conservador, por sinal, fez Rocha se aproximar de lideranças evangélicas em
todo o país. Recentemente, ele assumiu a defesa de temas sensíveis a esse grupo,
como a proibição do aborto e da união estável entre pessoas do mesmo sexo.
Nesse sentido, Rocha está mais para a direita que para o centro do espectro político.
Essa seria sua faixa do eleitorado.

Obstáculos não faltarão ao pré-candidato. Em primeiro lugar, ele precisa se filiar a um
partido. Depois, construir rapidamente uma imagem junto ao eleitor, já que é
praticamente desconhecido da maioria dos brasileiros. Por fim, estabelecer uma
agenda programática consistente. O tempo corre contra Rocha.

Seus adversários também encontrarão munição. Ele recebeu mesada de seu pai até os
36 anos de idade e, em 1994, foi acusado de fraudar bônus eleitorais. Em campanha,
essas questões virão facilmente à tona.

Uma opção já aventada seria Rocha integrar, na condição de vice, a chapa de Jair
Bolsonaro. Não se sabe, porém, o que ele agregaria à campanha do conservador
deputado fluminense.

André Pereira César
Cientista Político

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