CRISTOVAM BUARQUE

CRISTOVAM BUARQUE

Muitos partidos ainda não definiram se lançarão candidato à presidência da República
ou apoiarão um nome de outra legenda. O PPS, por exemplo, depois de fracassadas as
negociações com Luciano Huck, cogita da possibilidade de lançar o senador Cristovam
Buarque.

Engenheiro mecânico, economista e professor, Cristovam Ricardo Cavalcanti Buarque
nasceu no Recife (PE) em fevereiro de 1944. Foi governador do Distrito Federal, pelo
PT, entre 1995 e 1998. Também foi ministro da Educação no primeiro mandato de
Lula, de 2003 a 2004. Candidatou-se pelo PDT à presidência da República em 2006. É
senador desde 2003.

Buarque foi também reitor da UnB, entre 1985 e 1989. Por sinal, seu nome está
umbilicalmente ligado à educação. O tema é central na agenda de Buarque. Ele criou o
Bolsa-Escola, implementado inicialmente no Distrito Federal. Certa vez, em discurso no
plenário do Senado Federal, Buarque falou da revolução na Educação como "a
revolução doce". Essa fala sintetiza sua ação política.

A agenda, sem dúvida, é positiva, mas o político Cristovam Buarque tem sérios
problemas em sua história como homem público. Seu mandato de governador foi
marcado por forte pressão do PT, partido ao qual pertencia. Ao final da gestão, ficou a
sensação de falta de pulso por parte do governador, que deixou o cargo com avaliação
ruim.

Também à frente da Educação, Buarque não foi bem sucedido. Um ano após assumir o
cargo, foi demitido por telefone pelo presidente Lula. A imagem desse evento foi
registrada pela imprensa - Buarque estava em um café lisboeta quando recebeu a
ligação. O caráter simbólico disso é forte.

O senador e potencial candidato também é visto como pouco leal aos partidos. Passou
do PT para o PDT e, desde 2016, integra as fileiras do PPS (o antigo PCB, popularmente
conhecido como "Partidão"). Essa volatilidade gera desconfiança no mundo político.

A seu favor, Buarque conta com uma biografia marcada por elevada capacidade
intelectual e, mais ainda, por não ter seu nome envolvido em denúncias de desmandos
ou corrupção. No atual contexto, com a Lava Jato nas ruas, esse é um importante ativo
político.

Os obstáculos à uma eventual candidatura são similares aos de outros potenciais
oponentes - estrutura precária, recursos financeiros escassos, pouco tempo de
propaganda. Questões que não são fáceis de superar. Somam-se a isso, o fato de ter
votado favoravelmente ao impeachment de Dilma Rousseff e à Reforma Trabalhista. O
posicionamento político adotado nessas duas ocasiões certamente serão levadas em
conta, para o bem ou para o mal, quando da efetiva busca pelo voto do eleitor.

Agora, resta saber se o PPS bancará seu nome. Mais do que isso, é preciso saber se
haverá unidade partidária em torno das propostas de Buarque. Caso a resposta seja
negativa, sua candidatura fará apenas figuração.

André Pereira César
Cientista Político

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