cabo daciolo

CABO DACIOLO

Em meio à multiplicação de candidaturas vinculadas aos chamados "partidos
nanicos", mais um nome foi apresentado nos últimos dias. Trata-se de Cabo Daciolo,
do Patriota.

Nascido em março de 1976 em Florianópolis (SC), Benevenuto Daciolo Fonseca dos
Santos é bombeiro militar. Cumpre seu primeiro mandato de deputado federal. Seu
nome ganhou destaque quando, em 2011, liderou uma greve dos bombeiros no Rio
de Janeiro. Na ocasião, os grevistas ocuparam o quartel-general da corporação e
acamparam nas escadarias da Assembleia Legislativa. Daciolo foi preso e passou
mais de uma semana na penitenciária de Bangu I.

Ele foi eleito pelo PSOL do Rio de Janeiro nas eleições de 2014. Nos primeiros meses
de seu mandato, porém, acabou sendo expulso do partido por infidelidade
partidária, já que o deputado contrariou o programa e o estatuto do partido tanto
em declarações polêmicas como na atividade parlamentar, dentre elas a
apresentação de uma PEC para alterar o primeiro parágrafo da Constituição Federal -
de "todo poder emana do povo" para "todo poder emana de Deus".

Do PSOL, ele passou para o PTdoB, Avante e, recentemente, ingressou no Patriota.
Como se vê, Daciolo não é um homem de partido.

Figura polêmica, o pré-candidato chegou a defender a libertação de doze policiais
acusados de torturar e matar o pedreiro Amarildo Dias de Souza em 2013. O caso
teve grande repercussão nacional.

Sua filiação ao Patriota, no final de março último, foi acompanhada de perto por
lideranças evangélicas de diversas partes do Brasil. Por sinal, Daciolo faz questão de
se apresentar como um "parlamentar evangélico" e usará isso na campanha
presidencial, caso sua candidatura seja confirmada.

Os focos de seu programa, em fase de elaboração, são saúde, educação e segurança
pública. Crítico feroz do sistema financeiro e da Rede Globo, promete endurecer o
tratamento do governo federal com imprensa e bancos.

Apesar de estar no exercício de seu primeiro mandato como Deputado Federal, já é
investigado, pelo Supremo Tribunal Federal-STF, pela suspeita da prática do crime de
peculato.

Dificuldades então não faltarão a Daciolo. Muitas são as conhecidas de sempre -
partido pequeno com estrutura precária, poucos recursos financeiros, reduzido
tempo de televisão e candidato desconhecido nacionalmente. A isso tudo soma-se o
comportamento mercurial do parlamentar, alguém de difícil trato nos processos de
negociação.

Enfim, trata-se de mais uma pré-candidatura a ser apresentada ao eleitorado. A cada
dia que passa, o processo sucessório vai se parecendo mais e mais com o de 1989,
quando nada menos que 22 candidatos participaram do pleito.

André Pereira César
Cientista Político

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