Geraldo Alckmin

GERALDO ALCKMIN

Enquanto diversos partidos negociam a filiação de nomes com potencial para disputar
a sucessão, o PSDB, em tese, tem seu "candidato natural". O governador Geraldo
Alckmin já está em campo negociando apoios para o pleito presidencial de outubro.

Nascido em Pindamonhangaba (SP) em novembro de 1952, Geraldo José Rodrigues
Alckmin Filho é médico e professor universitário. Ingressou na política ainda jovem.
Pelo MDB, depois PMDB, foi vereador, prefeito e deputado estadual. Também elegeuse
deputado federal por dois mandatos, entre 1987 e 1995. Foi, portanto, Constituinte.

Alckmin foi um dos fundadores do PSDB, em 1988. Bastante próximo de Mário Covas,
foi vice-governador entre 1995 e 2001. Nesse ano, assumiu a titularidade do governo
paulista, em função do falecimento de Covas. Ele ocupou o posto até 2006 e retornou
em 2011. Em 2017, foi alçado ao cargo de presidente nacional do PSDB.

Apesar de ter sua imagem fortemente vinculada ao Executivo, Alckmin teve atuação de
destaque no Congresso Nacional. Quando deputado federal, foi o autor do projeto que
se converteu no Código de Defesa do Consumidor. Também relatou a Lei de Benefícios
da Previdência Social e o projeto que disciplina a doação de órgãos para transplantes.

Ainda no âmbito do governo paulista, quando vice de Covas, comandou o Programa
Estadual de Desestatização (PED), que previa a privatização de diversas empresas
estatais e a concessão de trechos de ferrovias e rodovias para a iniciativa privada.
Nessa época, o Banespa foi privatizado.

A história política de Alckmin não registra somente êxitos, porém. Foi derrotado por
duas vezes para a prefeitura de São Paulo (2000 e 2008). Foi nas eleições municipais de
2008 que acabou travando uma disputa interna com José Serra. A trégua veio somente
meses após a eleição perdida para o então prefeito Gilberto Kassab, quando aceitou o
posto de secretário de Desenvolvimento do Estado, na época, governado por Serra.

Mas foi em 2006 que veio a sofrer seu maior revés, quando perdeu a eleição
presidencial para o então presidente Lula.

As eleições de 2006 marcam um ponto importante na carreira política de Alckmin. Lula
e o PT estavam pressionados pelo escândalo do Mensalão e o tucano surgiu como
alternativa da centro-direita para retomar o poder. Sua campanha, no entanto, foi
pessimamente conduzida. Entre o primeiro e o segundo turnos o nome "Alckmin" foi
trocado por "Geraldo", o que confundiu parcela significativa do eleitorado. Somado a
um programa confuso e pouco definido, o resultado foi o esperado - Alckmin recebeu
menos votos no segundo turno, em comparação com o primeiro.

A derrotada campanha presidencial, por sinal, consolidou o apelido "picolé de
chuchu", que o acompanha desde então. Adversários, e mesmo aliados, criticam
duramente a falta de carisma do tucano. Para muitos, seus êxitos são fruto de sorte e
também da lembrança de seus tempos ao lado de Covas.

O que pensa Alckmin? Ele defende a privatização de estatais, maior rigor com os
gastos públicos e a manutenção de taxas mais elevadas dos juros para conter a
inflação, caso necessário. Seu guru na área econômica é Pérsio Arida, um dos
formuladores do Plano Real. O mercado financeiro agradece.

No plano social, ele procura recuperar o discurso original do PSDB, com programas
voltados para a população de mais baixa renda. Nesse quesito, tem tido escasso
sucesso, até o momento.

O que pode atrapalhar seu projeto eleitoral? São muitos os obstáculos à candidatura
Alckmin. As supostas relações com grupos conservadores da Igreja Católica (Opus Dei)
sempre foram uma pedra no sapato do tucano. Denúncias contra o PSDB paulista
envolvendo desvio de dinheiro público e pagamento de propina (Rodoanel e Metrô)
também projetam suas sombras. Recentemente, um cunhado de Alckmin foi capa de
revista de circulação nacional, em matéria que insinuava ser ele uma espécie de testa
de ferro do governador.

Quando se avalia o Alckmin gestor em São Paulo, também se encontram pontos
negativos. Ao longo de suas administrações, o estado viveu uma grave crise hídrica,
com impacto direto sobre famílias e empresas fruto, como amplamente divulgado, da
falta de investimentos; a segurança pública sofreu sensível piora, com o aumento do
poder de grupos organizados, como o PCC, que fez aumentar a sensação de
insegurança em todo estado de São Paulo; a saúde convive há tempos com a redução
de recursos e a consequente precarização de seus serviços que pioram a passos largos;
e um dos símbolos de São Paulo, a Universidade de São Paulo-USP, sofre com
sucessíveis cortes de verbas. Como seria então o Alckmin gestor federal?

Outros problemas se somam a esses. Ele é pouco conhecido nas regiões Norte e
Nordeste do país, apesar de já ter disputado uma eleição presidencial. Resistências
dentro de seu próprio partido precisam ser superadas. A "questão paulista"
igualmente precisará ser resolvida - Alckmin apoiará para sua própria sucessão o
candidato tucano João Dória ou irá com o atual vice, Márcio França (PSB)? É impossível
manter um pé em cada canoa, e qualquer posição que tome em relação ao apoio
gerará ruídos.

Por fim, a eventual candidatura Alckmin nascerá em meio à crise vivida pelo PSDB
nacional, crise essa que tem como elemento central o senador Aécio Neves. Pesquisas
de opinião pública indicam que boa parte do eleitorado busca um candidato novo - e
"novo" é exatamente o contrário do que Alckmin representa hoje.

André Pereira César
Cientista Político

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