Aldo Rebelo

ALDO REBELO

Semana após semana, novos pré-candidatos se apresentam para a disputa
presidencial. O quadro de incerteza política alimenta esse fenômeno. O mais novo
postulante é Aldo Rebelo, do Solidariedade (SD).

Nascido em fevereiro de 1956 em Viçosa (AL), José Aldo Rebelo Figueiredo é jornalista.
Político experiente, foi vereador em São Paulo e, a seguir, deputado federal por seis
mandatos, sempre pelo PCdoB. Polivalente, foi ministro das Relações Institucionais no
governo Lula. Na gestão Dilma, ocupou os ministérios dos Esportes, de Ciência e
Tecnologia e, por fim, da Defesa. Também militou na Ação Popular, organização que
combatia o regime militar e, no início dos anos oitenta, presidiu a UNE.

Uma curiosidade pessoal. Seu pai foi vaqueiro, em Alagoas, em uma fazenda de
propriedade do senador Teotônio Vilela, uma das mais importantes lideranças políticas
nordestinas da segunda metade do século XX.

Rebelo ganhou destaque nacional ao assumir a presidência da Câmara dos Deputados
em 2005, após o afastamento do então titular Severino Cavalcanti (caso similar ao de
Rodrigo Maia, eleito para substituir o afastado Eduardo Cunha). Na condição de
presidente da Casa, Rebelo manteve uma postura discreta, tentando reduzir o elevado
grau de tensão reinante entre os parlamentares, em função do escândalo do
Mensalão.

Devido ao prestígio alcançado em por conta do exercício da presidência da Câmara dos
Deputados, aliado ao seu reconhecido tom conciliador, acabou sendo escolhido para
relatar o novo Código Florestal, que foi aprovado pelo Congresso após muita discussão
e polêmica.

O pré-candidato tem seu nome umbilicalmente ligado ao PCdoB, no qual militou por
muitos anos. Ele deixou a legenda em meados de 2017 e ingressou no PSB. Deixou as
fileiras socialistas em março de 2018, criticando duramente a filiação de Joaquim
Barbosa ao partido. O Solidariedade é sua nova legenda.

Nacionalista ao extremo, apresentou projetos de lei que foram objeto de fortes críticas
- entre eles, o que limita estrangeirismos na língua portuguesa, o que instituía o "Dia
Nacional do Saci-pererê" e o que tornava obrigatória a adição de 10% de farinha de
mandioca na farinha de trigo para a produção de pão francês. Essa última proposição
gerou fortes atritos com a indústria de trigo e dos panificadores, que desde então se
tornaram inimigos figadais do parlamentar.

Dado o perfil nacionalista de Rebelo, surge um questionamento: como ele se
relacionará com os integrantes do Solidariedade, partido de centro com certo viés
liberalizante e que apoiou boa parte da agenda do governo Temer? Esse é um ponto
importante e que revela uma potencial fragilidade da pré-candidatura. Um prato cheio
para os adversários.

Apesar de ser um conciliador por natureza e eclético, como atesta seu histórico
político, Rebelo é acusado de ser titubeante em muitos momentos. "Falta pulso a ele",
costuma-se ouvir nos corredores do Congresso Nacional.

Um eventual governo Rebelo seria marcado por uma postura estatizante, exatamente
o contrário do proposto pela atual administração Temer. Novamente fica no ar a
incógnita quanto ao comportamento de seu partido.

Ao que tudo indica, Rebelo e seus parceiros de legenda apresentaram seu nome como
um balão de ensaio, na tentativa de reforçar o peso político de todos (candidato e
Solidariedade) no mercado eleitoral. Deve-se esperar pouco mais que isso.

André Pereira César
Cientista Político

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