Um olhar sobre a pesquisa FSB/Pactual

A mais recente pesquisa FSB/Pactual, cujo campo ocorreu entre os dias 22 e 24 de abril, confirma a tendência de lenta mas consistente recuperação do presidente Jair Bolsonaro (PL) junto ao eleitorado. Hoje, podemos afirmar que a disputa sucessória está definitivamente em aberto. Abaixo, alguns destaques do levantamento.

. No cenário estimulado, o ex-presidente Lula (PT) segue liderando, com 41% das intenções de voto. Bolsonaro aparece com 32% das citações. Em relação à pesquisa anterior, de março, a diferença entre os dois caiu cinco pontos - o petista tinha 43% e o atual presidente, 29%. Sinal de alerta para o comando da pré-campanha de Lula.

. Para a chamada “terceira via”, o quadro segue inalterado. Ciro Gomes (PDT) aparece com 9%, João Dória (PSDB) e André Janones (Avante) têm 3% cada e Simone Tebet (MDB), 1%, empatada com Vera Lúcia (PSTU). O bloco, mesmo após mudanças de rumo e postura, não consegue empolgar o eleitorado e, consequentemente, não ganha tração.

. No levantamento espontâneo, a disputa se mostra ainda mais acirrada - Lula tem 36% e Bolsonaro, 30%.

. Nas simulações de segundo turno, o petista tem 52% (54% em março) e o titular do Planalto, 37% (35% no levantamento anterior). Diferença reduzida, a exemplo do que ocorre no primeiro turno.

. Quanto aos índices de rejeição, Dória aparece com 63%, seguido por Bolsonaro (57%), Ciro Gomes (49%) e Lula (45%). Números sem dúvida elevados para todos os quatro listados.

. Sobre a decisão do voto, 71% dos eleitores afirmam que ela já está tomada e não será mudada, enquanto 27% ainda podem mudar de candidato.

. Por gênero, a pesquisa apresenta um dado interessante. Bolsonaro derrota Lula entre os homens (41% a 36%), mas a balança pende fortemente a favor do petista entre as mulheres (47% a 24%). A senha está dada para as campanhas dos dois principais pré-candidatos atacarem seus pontos fracos.

. A avaliação geral do governo, por sua vez, apresenta leve melhora. Os que consideram a atual gestão “ótima/boa” passaram de 29% para 30%, enquanto o “ruim/péssimo” passou de 53% para 51%. Esses números ajudam a explicar, em parte, a melhora do desempenho eleitoral de Bolsonaro.

. Com relação às redes sociais, território preferencial para a disseminação de Fake News, 53% dos entrevistados recebem notícias dos pré-candidatos pelo WhatsApp, e 40% relatam ter recebido alguma informação falsa.

. A percepção das dificuldades na economia é geral. Para 62%, o país está em crise econômica e enfrenta dificuldades para superar, enquanto 32% enxergam a crise, mas avaliam que o Brasil superará os problemas. Apenas 5% acreditam que o atual momento econômico seja bom.

. Por fim, o Auxílio Brasil atinge, direta ou indiretamente, 15% dos entrevistados. Os 85% restantes não recebem nem moram com alguém que tenha direito ao benefício. Os limites da ação do governo federal nessa área ficam bastante claros com esses números.

. Conclusão: Assim como as demais pesquisas, o levantamento FSB/Pactual indica que Bolsonaro ainda não atingiu seu limite eleitoral e que tem espaço para crescer. Além disso, o embate em segundo turno entre Lula e Bolsonaro já é quase uma certeza. As pesquisas indicam, ainda, que para o eleitor do atual presidente, a fidelidade à sua figura e aos ditames ideológicos fala mais alto do que fatores como economia ou o recebimento de algum tipo de auxílio assistencial.

André Pereira César
Cientista Político

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