Um olhar sobre a nova pesquisa DataFolha

A nova rodada do DataFolha, realizada entre os dias 13 e 15 de setembro e divulgada hoje, confirma a tendência de perda de musculatura política do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O levantamento captou os efeitos das manifestações de 7 de setembro, a favor do governo, e do dia 12 subsequente, contra Bolsonaro. O saldo final é desfavorável para o titular do Planalto.

De acordo com a pesquisa, a avaliação negativa do presidente (ruim ou péssimo) atingiu 53%, índice mais elevado desde sua posse, em janeiro de 2019. Em julho, esse índice estava em 51%. Já os que aprovam (bom ou ótimo) totalizam 22% - eram 24% em julho. A avaliação regular manteve-se a mesma do último levantamento, 24%.

Fica claro que Bolsonaro se fecha mais e mais em seu nicho mais fiel, cerca de 1/5 do eleitorado. Muito pouco para quem tem a pretensão de reeleger-se presidente da República. A título de comparação, os números do atual presidente são melhores apenas que os de Fernando Collor de Mello nessa mesma altura do mandato.

Os números eleitorais também não trazem alento algum a Bolsonaro. Nos quatro cenários apresentados, o ex-presidente Lula (PT) aparece com larga vantagem sobre o atual mandatário. O petista fica entre 42% e 44% das citações, dependendo da simulação, enquanto o titular do Planalto entre 24% e 26%.

A chamada terceira via também não tem o que comemorar. Seus potenciais candidatos seguem patinando, todos entre 2% e 5%. A exceção é o neopedetista Ciro Gomes, que chega a atingir 11% em uma das simulações. Mesmo assim, nem ele consegue deslanchar. As manifestações de 12 de setembro, como se vê, surtiram efeito zero sobre o eleitorado.

As simulações de segundo turno igualmente são ruins para Bolsonaro. Hoje, ele perderia para Lula, Ciro Gomes e João Dória (PSDB). O petista, por sua vez, venceria todos os adversários listados.

Para concluir, os índices de rejeição apontam Bolsonaro com 59%, Lula 39%, Dória 38% e Ciro Gomes 30%. Hoje, a candidatura do atual presidente estaria praticamente inviabilizada.

Faltando um ano para o primeiro turno das eleições, Bolsonaro tem desafios hercúleos pela frente. Enfrentar a grave crise econômica, que pode se agudizar com a crise hídrica que se avizinha, enfrentar a pandemia, superar as crescentes (e cada vez mais consistentes) denúncias de corrupção no combate à pandemia e achar um partido politico que o aceite. Não será fácil.

André Pereira César
Cientista Político

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