Procuram-se lideranças

Em larga medida, a série de reveses que o Planalto tem enfrentado no Congresso Nacional, em especial na Câmara dos Deputados, é explicada pela pouca experiência política de suas principais lideranças. O governo tropeça em suas próprias pernas.

Exemplos de derrotas não faltam. Convocação de ministros, derrubada do decreto presidencial do sigilo de documentos, orçamento impositivo, ameaças sobre a medida provisória que reestrutura o Executivo. Muitos problemas em pouco tempo de administração.

Não se deseja fulanizar a questão, mas é inevitável apontar os responsáveis pelo quadro na Câmara - os deputados Major Vitor Hugo (PSL/GO, líder do governo na Casa), Delegado Waldir (PSL/GO, líder da bancada) e Joice Hasselmann (PSL/SP, líder do governo no Congresso). Pouco experientes, não dominam os rudimentos dos regimentos das Casas e têm escasso traquejo político.

O contraste é evidente. Mesmo em minoria, a oposição - insuflada pelo centrão em questões muito pontuais-, com seus quadros mais rodados, dita boa parte do ritmo de trabalho. E muitas vezes empareda os governistas.

Assim, para fazer avançar sua agenda o Planalto depende mais e mais do centrão. Cientes dessa realidade, os partidos que compõem o bloco fazem seu jogo, muitas vezes pressionando o governo.

O caso da reforma da Previdência é emblemático. Sem o centrão, a matéria muito dificilmente terá a sua admissibilidade aprovada na Comissão de Constituição e Justiça. Atordoados, os líderes formais da base aliada mostram-se incapazes de conquistar votos. Se na Comissão de Constituição a situação é essa, na Comissão Especial, que analisará o mérito da proposta, o quadro deve se agudizar.

Enfim, o governo precisa revisar os métodos de atuação de seus líderes. No limite, as peças precisarão ser trocadas. Conforme já escrevemos nesse espaço, há pouquíssima margem para erros.

André Pereira César
Cientista Político

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