Energia, Petrobras, óleo diesel, gás e as eleições

A política energética será um dos pontos principais da sucessão presidencial que se avizinha. Petrobras, ministério de Minas e Energia e a construção de novos gasodutos ocuparão parte importante dos debates. No centro, o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Lula (PT), protagonistas do pleito.

Sobre a Petrobras, a discussão se dá em dois eixos. De um lado, a política de preços, que no governo Temer foi conectada às cotações internacionais do petróleo, e que continua a ser atacada pelo titular do Planalto, especialmente após a recente divulgação dos lucros da empresa. Bolsonaro tenta colar o discurso de que está de “mãos atadas” e pouco pode fazer para mudar o quadro. Seu eleitorado mais fiel, incluindo os caminhoneiros, apesar do recente aumento no preço do óleo diesel, a princípio tem comprado a tese.

Já Lula tem o desafio de retirar do imaginário popular a questão do Petrolão, originado a partir da suspeita Operação Lava Jato. Não será tarefa fácil. As denúncias de corrupção na Petrobras foram das peças chave para a onda eleitoral que, em 2018, levou Bolsonaro ao poder. Por sinal, o petista já ensaia uma nova abordagem, falando em “abrasileirar” os preços dos combustíveis. No limite, algo próximo do que é pregado pelo atual presidente.

Todo o movimento em torno da Petrobras deságua na recente mudança no comando do ministério de Minas e Energia, ao qual a empresa é ligada. O então titular da pasta, Bento Albuquerque, foi exonerado e em seu lugar assumiu o economista Adolfo Sachsida, bolsonarista de primeira hora e que é ligado ao ministro da Economia, Paulo Guedes.

A troca não surpreende – Bolsonaro, como usualmente faz, apontava o demissionário como um dos responsáveis pelas altas nos preços dos combustíveis. Resta saber se o novo ministro terá alguma autonomia ou será totalmente controlado pelo Planalto.

Por fim, o Congresso Nacional (em especial o Centrão), com o suporte do governo, colocou no forno uma proposta polêmica. Trata-se de um projeto bilionário que prevê a construção de gasodutos pelo país. Inicialmente, Bolsonaro era contra a medida, mas mudou de posição. Já se fala em aporte de R$ 100 bilhões para o empreedimento, que viriam do lucro com a exploração do pré-sal - a equipe econômica não concorda com a nova destinação desses recursos, o que pode gerar
stress adicional com o presidente.

Um detalhe curioso. O principal beneficiário com a construção dos novos gasodutos seria o empresário Carlos Suarez, conhecido como “o rei do gás”, que detém exclusividade para a distribuição de gás em oito estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país – a construção de gasodutos para essas termoelétricas, pelo governo, é uma das exigências para privatização da Eletrobrás. Recentemente, sua proximidade com o economista Adriano Pires impediu que esse último assumisse o comando da Petrobras.

Como se vê, a questão energética terá peso na campanha eleitoral. Como o tema afeta diretamente o bolso da população, são esperados fortes embates em torno do assunto.

André Pereira César
Cientista Político

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