E agora, PSB?

Com a anunciada desistência de Joaquim Barbosa, o PSB precisa rever com urgência
seu rumo na eleição presidencial. O partido tem pouco tempo para definir suas
estratégias. Opções não faltam. Vamos a elas.

Os socialistas, mesmo com a possibilidade de poder lançar outro nome para o Planalto,
no entanto, não possuem, nos quadros do partido, um nome de peso nacional. Mais
ainda, o PSB é dividido em grupos e muito dificilmente um candidato unificaria a
agremiação. Portanto, é pouco provável o lançamento de uma candidatura própria.

Outro cenário seria o apoio ao tucano Geraldo Alckmin. A tese tem como grande
defensor o atual governador de São Paulo, Márcio França, mas é rejeitada por boa
parte das lideranças socialistas. A recente aproximação de Alckmin com o MDB
igualmente dificulta a aliança. Qual seria o papel do PSB nessa composição?

Uma terceira hipótese seria o apoio ao neopedetista Ciro Gomes. Apesar de terem
pontos em comum, os socialistas desconfiam do comportamento mercurial do précandidato.
Além disso, a possível chapa Gomes-Benjamin Steinbruch, que vem
ganhando força, esfria os ânimos do PSB.

O apoio ao PT também está no radar socialista. No entanto, as incertezas envolvendo a
candidatura petista após a prisão de Lula dificultam as negociações. Cabe lembrar
ainda que o PT, partido hegemônico por natureza, cederia pouco espaço para o PSB
em uma eventual aliança.

Por fim, o partido pode não apoiar candidatura alguma e seguir fazendo alianças
pontuais nos estados. Hoje, são reais as chances disso ocorrer.

Sem Barbosa, o PSB agora quer evitar um resultado ruim nas urnas em outubro. O
objetivo é o de eleger um número razoável de deputados federais, e também de
governadores, para consolidar o espaço da legenda na centro-esquerda da política
brasileira. Um desafio nada trivial.

André Pereira César
Cientista Político

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