Reflexões iniciais sobre a sucessão em Curitiba

Maior cidade da região Sul do país, com aproximadamente dois milhões de habitantes, a capital paranaense também é estratégica no xadrez político nacional. Modelo de administração em um passado não tão distante, a situação hoje é outra, e o eleito no final do ano enfrentará grandes desafios.

Ao contrário de outras capitais, Curitiba, até o momento, não concentra os debates em torno de temas nacionais. Questões locais estão no centro das discussões. Esse fato, em tese, favorece o atual prefeito, Rafael Greca (DEM).

Candidato à reeleição, Greca é apontado como o grande favorito na disputa. Polêmico e por vezes excêntrico, ele aparece com larga vantagem nas pesquisas de intenção de voto. Para reforçar o quadro, o governador do estado, Ratinho Júnior (PSD), que é bem avaliado na capital, apoia o prefeito.

O apoio explícito do governador gerou um fato positivo para Greca. Os deputados federais Ney Leprevost (PSD), Luizão Goulart (Republicanos) e Luciano Ducci (PSB) recuaram de suas pré-candidaturas a pedido de Ratinho. Caminho facilitado para o prefeito, que conta com uma “frente ampla” na campanha.

Além disso, outro nome de peso, o ex-deputado federal e ex-prefeito Gustavo Fruet (PDT) também abriu mão da disputa. Seu partido lançará o jovem deputado estadual Goura Nataraj. Sua bandeira será o da retomada da democracia na cidade - algo bastante vago para o eleitor médio.

À direita, o deputado estadual Fernando Francischini será o candidato do PSL, com o apoio do PSDB. Entre os postulantes, ele é o que mais tenta nacionalizar o debate, ao falar em “superar a velha política”. Ecos da campanha de 2018 do atual presidente Jair Bolsonaro, que foi apoiado por Francischini.

Outros partidos ainda não definiram suas situações. O MDB poderá lançar o deputado federal João Arruda, mas estuda a possibilidade de apoiar outra candidatura. O PT, por sua vez, deverá ter como representante no pleito Paulo Opuszka. Ao lado do PCdoB e do PSOL, entre outros, os petistas tentam montar uma frente alternativa a Greca.

Em suma, Curitiba tem reais chances de ver a disputa definida já no primeiro turno. No entanto, a eventual união da esquerda poderá mudar o quadro e adiar a decisão.

André Pereira César

Cientista Político

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