Reflexões iniciais sobre a sucessão em Belo Horizonte

Com aproximadamente 2,5 milhões de habitantes, a capital mineira será mais uma vez estratégica para as pretensões de partidos e coalizões nas eleições do final do ano. Apesar do leve favoritismo do atual prefeito, Alexandre Kalil (PSD), a disputa está em aberto.

O empresário e engenheiro civil Kalil ingressou em 2014 na política, portanto pode ser considerado uma figura relativamente nova no meio. Antes conhecido como o “presidente do Atlético Mineiro”, popular time de futebol do estado, hoje ele está plenamente adaptado à condição de gestor público. Na pandemia, após um início repleto de críticas, passou a colher os frutos de uma boa gestão da crise. Em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto e com o firme apoio do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, deverá repetir a chapa com seu vice, Paulo Lamac (Rede).

No âmbito da centro-direita, o Republicanos cogita da possibilidade de lançar o deputado federal Lafayette Andrada, que está em seu primeiro mandato em Brasília. Advogado e professor, membro de família tradicional (é filho do ex-deputado Bonifácio de Andrada e descendente de José Bonifácio, chamado de “patriarca da Independência”), o pré-candidato é um parlamentar de destaque. Com sólida formação intelectual, ele é dos mais atuantes nos debates em torno dos temas Justiça e segurança pública. Seus atributos, ironicamente, podem se tornar seu principal obstáculo na disputa por um cargo no Executivo - Andrada tem um discurso rebuscado, de difícil entendimento para o eleitor médio. Superar essa situação será o grande desafio para sua eventual candidatura.

Já a esquerda deverá entrar dividida na disputa. PSB, PSOL e PT caminham para o lançamento de candidaturas próprias. Essa fragmentação sem dúvida será favorável ao prefeito Kalil.

O PSB tem como pré-candidato o deputado federal Júlio Delgado. Filho do ex-prefeito de Juiz de Fora (MG) Tarcísio Delgado, que foi aliado de Itamar Franco, o parlamentar socialista construiu uma sólida carreira na Câmara dos Deputados. Advogado, é tido por seus pares como um bom articulador. Em seu currículo destaca-se ainda a relatoria do processo de cassação do então deputado petista José Dirceu.

O PSOL apostará suas fichas na deputada federal Áurea Carolina. Cientista política, ela cumpre seu primeiro mandato em Brasília. Ativista das lutas pela inclusão de mulheres, jovens e negros, encaixa-se à perfeição no receituário de seu partido. Sua pré-candidatura conta com o apoio de intelectuais e artistas e poderá ter um bom desempenho no pleito.

Buscando a reabilitação na capital mineira, o PT deverá lançar o ex-deputado Nilmário Miranda. Ligado à defesa dos direitos humanos, ele foi embaixador do Brasil em Cuba e secretário dos Direitos Humanos durante o governo Lula, de quem é muito próximo. Petista histórico, seu principal desafio será tornar o discurso de seu partido atraente para o eleitorado, em especial a faixa mais jovem, que tende a votar na candidata do PSOL.

A grande incógnita, até o momento, é a postura do presidente Jair Bolsonaro. Segundo aliados, ele tende a apoiar o deputado estadual Bruno Engler, do PRTB, mesmo partido do vice-presidente Hamilton Mourão. Polêmico, o parlamentar teve o nome de assessores ligados à divulgação de Fake News. É firme apoiador do presidente.

Enfim, a disputa em Belo Horizonte tem um leve favorito, Alexandre Kalil. No entanto, há postulantes com chances reais de ao menos levar o jogo para o segundo turno.

André Pereira César

Cientista Político

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