Uma campanha antecipada -Parte 1

Conforme temos afirmado nesse espaço, a sucessão presidencial continua a pleno vapor. Apesar de 2022 estar ainda distante, a campanha antecipada têm movimentado vários atores políticos com vistas ao pleito. O esboço de uma chapa Bolsonaro-Moro, ideal e imbatível aos olhos dos bolsonaristas, é um claro exemplo disso, mas não o único.

Outro potencial candidato, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), também tem marcado posição. Na segunda-feira, 9 de dezembro, ele afirmou que se o excludente de ilicitude houvesse sido aprovado, os policiais envolvidos o caso de Paraisópolis não seriam investigados.

Parte integrante do pacote anticrime do ministro Sérgio Moro, a medida foi rejeitada pelos deputados. O ministro não perdeu tempo e respondeu a Maia, afirmando que o excludente de ilicitude não se aplicaria nesse caso. O clima entre os dois, que nunca foi bom, começa a beirar o confronto.

Maia, como se sabe, está sendo sondado pelo Centrão para as eleições de 2022. Com suas críticas ao excludente de ilicitude ele bate não apenas em Moro, mas também no governador paulista João Dória (PSDB), que chegou a elogiar a ação da PM em Paraisópolis para recuar depois. Por fim, em recente entrevista ao jornal O Globo, Maia afirmou não ter problema em apoiar um candidato que esteja um pouco mais à esquerda, como Ciro Gomes, por exemplo. Cálculo político preciso do presidente da Câmara.

A esquerda também se movimenta. Enquanto o PT tenta se reafirmar como partido hegemônico, outras agremiações buscam caminhos próprios. O comando do PSB já se manifestou contra a postura de Lula e seus aliados, e o PDT segue tendo em Ciro Gomes seu principal nome. Hoje, uma aliança dos dois partidos com os petistas seria improvável.

Até mesmo o apresentador Luciano Huck, alçado pelo ex-presidente Fernando Henrique como um possível candidato à presidência, tem aproveitado convenientemente alguns momentos para projetar a sua imagem, quando, por exemplo, se manifestou nas redes sociais sobre a divulgação da posição brasileira no ranking do IDH.

Enfim, os primeiros movimentos rumo à sucessão presidencial estão desde meados do ano, sendo dados. O presidente Jair Bolsonaro apenas olha o jogo. Ele sabe que ainda tem capital político para participar desse processo. Resta saber quem serão seus adversários e em que condições entrarão nessa disputa eleitoral.

André Pereira César
Cientista Político

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