O destino de Jair Bolsonaro

Nas próximas semanas, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tomará uma decisão de grande importância para a segunda metade de seu mandato e também para suas pretensões eleitorais - ele definirá a legenda a qual se filiará. O “passe” presidencial está valorizado e, consequentemente, é grande a disputa entre as agremiações de centro-direita para tê-lo em suas fileiras.

A lista de opções é extensa e a decisão final precisa ser tomada com muito cuidado. Entre os requisitos necessários para Bolsonaro estão a estrutura e a capilaridade partidárias e as condições para que tenha pleno poder decisório na agremiação.

Em primeiro lugar, está praticamente sepultada, ao menos por ora, a possibilidade de criação do Aliança pelo Brasil, partido projetado pelo clã Bolsonaro. Com pouquíssimas assinaturas coletadas e enfrentando dificuldades de mobilizar simpatizantes em função da pandemia, a legenda não saiu do papel.

Entre os partidos mais tradicionais estão o PP, o PTB e o PL. Em comum, as três legendas são ideologicamente alinhadas ao titular do Planalto, têm estruturas robustas e lideranças que mantém bom diálogo com Bolsonaro. Além disso, no passado, ele já pertenceu ao PP e ao PTB, ou seja, conhece bem o funcionamento dessas duas agremiações.

Outra hipótese aventada, entre as grandes legendas, é o DEM. No entanto, a crise interna no partido, decorrente da eleição de Arthur Lira (PP/AL) para a presidência da Câmara dos Deputados, e as duras críticas de ACM Neto a Bolsonaro, praticamente fecharam as portas à filiação. Hoje, o ingresso do presidente no DEM seria uma absoluta surpresa.

Com dois membros da família Bolsonaro em seus quadros (o senador Flávio e o vereador Carlos), o Republicanos também está no radar do presidente. Para reforçar a aproximação, o partido acabou de emplacar o deputado João Roma (BA) no ministério da Cidadania. No entanto, o comandante do partido, deputado Marcos Pereira (SP), tem afirmado que Jair Bolsonaro seria apenas mais um na agremiação, o que pode dificultar as conversas.

Há quem aposte no retorno de Bolsonaro ao PSL, partido pelo qual se elegeu em 2018. No entanto, isso demandaria uma complexa operação política, dado que importantes lideranças da legenda, como o presidente nacional, Luciano Bivar (PE), e a deputada Joice Hasselmann (SP), romperam com o titular do Planalto. O fato é que o PSL está rachado e a entrada de Bolsonaro apenas pioraria o ambiente.

Por fim, o pequeno Patriota aparece como uma opção interessante. Bolsonaro tem afinidade ideológica e programática com a legenda, e até o slogan é similar ao presidencial - “Brasil acima de tudo”. O presidente ingressaria no partido com voz de comando e traria consigo dezenas de parlamentares, o que daria musculatura ao grupo.

Como se sabe, Jair Bolsonaro não é um homem de partido, como atesta sua trajetória - nove legendas em trinta anos de vida política. A ele interessa estar de acordo com a legislação eleitoral, para disputar o pleito de 2022. É exatamente isso que move o titular do Planalto.

André Pereira César

Cientista Político

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