MANUELA D’ÁVILA

MANUELA D'ÁVILA

Nas sete eleições presidenciais ocorridas desde 1989, o PT, no campo da esquerda, foi
o partido que sempre apresentou as candidaturas mais competitivas. Ao longo desse
percurso, os petistas contaram em todos os momentos com o apoio formal do PCdoB.
Agora, os comunistas parecem dispostos a sair da posição de satélites do petismo e
lançar uma candidatura própria. A gaúcha Manuela D'Ávila deverá ser a cabeça de
chapa.

Nascida em Porto Alegre (RS) em agosto de 1981, Manuela Pinto Vieira D'Ávila é
jornalista. Apesar de jovem, ela tem boa experiência na política. Foi vereadora na
capital gaúcha, deputada federal por dois mandatos e, hoje, é deputada estadual no
Rio Grande do Sul.

A pré-candidata teve seus primeiros contatos na política estudantil. Ingressou em 1999
na União da Juventude Socialista, ligada ao PCdoB, e mais tarde chegou à vicepresidência
da UNE.

Sua origem explica e tem grande influência no dia a dia da política da pré-candidata.
Manuela sempre focou suas ações e projetos em questões de cunho social, em
especial educação, juventude e direitos humanos. Na Câmara dos Deputados, presidiu
a Comissão de Direitos Humanos, quando pediu a saída do deputado Jair Bolsonaro do
colegiado. O parlamentar, por sinal, travou alguns debates mais fortes com a
deputada.

Manuela também se candidatou, sem sucesso, a cargos do Executivo. Disputou a
assumir o ministério do Esporte, mas a cúpula do PCdoB preferiu que ela continuasse
com seu mandato de deputada federal.

O programa da pré-candidata ainda não é conhecido, mas imagina-se que seja o
inverso da agenda dita reformista do governo Temer. Nada de privatizações ou
concessões, e a revisão em programas já em curso.

Os obstáculos à candidatura do PCdoB são muitos e similares à boa parte de seus
potenciais adversários. Reduzido tempo de campanha em rádio e televisão, pouco
dinheiro em caixa, estrutura limitada e um inevitável preconceito de parcela
significativa do eleitorado com uma agenda "comunista". Nem mesmo o inegável
carisma de Manuela parece capaz de reverter esse quadro.

Os comunistas podem bancar uma candidatura própria pensando em ampliar a
bancada federal. Um aumento no número de deputados já significaria um importante
ganho para a legenda. De todo modo, caso o PCdoB confirme a disposição de lançar
um nome próprio, será um evidente sinal de que a hegemonia petista na esquerda
está em xeque.

André Pereira César
Cientista Político

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