Rodrigo Maia em movimento

O grupo do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), já tem seu candidato à sucessão na Casa - o deputado Baleia Rossi (MDB/SP), que preside nacionalmente o partido. Rossi venceu a disputa interna contra Aguinaldo Ribeiro (PP/PB), que era tido por muitos como o favorito.

A indicação do emedebista, no entanto, não garante a unidade dos aliados de Maia. Algumas questões envolvendo seu nome podem se tornar obstáculos até a eleição, que ocorrerá no início de fevereiro de 2021.

Em primeiro lugar, parte da bancada do PT vê a candidatura Rossi com restrições. Em 2016, o MDB foi peça central no processo que culminou no afastamento da então presidente Dilma Rousseff da presidência da República. Lideranças petistas, como a própria Dilma e o ex-prefeito Fernando Haddad levantaram a questão recentemente.

Também a bancada feminina da Câmara não apoia integralmente o candidato. Sua atuação na Casa, no que diz respeito à pauta de gênero, é criticada por muitas deputadas.

Por fim, a indicação de Rossi impacta diretamente na disputa do Senado Federal. Em tese, o MDB, com a maior bancada da Casa, seria o favorito. Agora, as chances do partido ficaram reduzidas - afinal, na visão de muitos atores políticos, os emedebistas ficariam com poder excessivo caso assumam a presidência de Câmara e Senado.

O fato é que Rodrigo Maia deu um passo importante na guerra que vem travando com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Caso seu candidato derrote Arthur Lira (PP/AL), ou qualquer outro nome bancado pelo Planalto, ele ganhará ainda mais força no cenário político nacional. Um revés, por outro lado, deverá levar o atual presidente da Casa, ao menos momentaneamente, para a condição de coadjuvante. O jogo é bruto e ganhará intensidade ao longo das próximas semanas.

André Pereira César

Cientista Político

Comments are closed.