PIB e Pisa

Dois importantes indicadores divulgados na terça-feira, 3 de dezembro, estimulam um amplo debate sobre o Brasil. De um lado, o PIB. De outro o Pisa, avaliação internacional de educação feita pela OCDE. Em ambos os casos, os números evidenciam a necessidade de mudança de rumos.

No caso do PIB, os dados apresentados superaram as expectativas iniciais. Ainda que modesto, o crescimento de 0,6% no terceiro trimestre dá certo fôlego para a economia. A melhor notícia diz respeito ao setor privado, cujos investimentos resultaram em alta de 2%. A reação é contínua, apesar de pouco acelerada.

Nem tudo são flores nessa seara, porém. O desemprego ainda é alto e as perspectivas para 2020 não foram alteradas - projeção de crescimento 2,3%, pouco para uma urgente recuperação em termos gerais. Mais ainda, há dúvidas sobre os números divulgados. O respeitado jornal Financial Times questionou os dados, em uma clara indicação de que o país perdeu credibilidade nos últimos tempos.

Quanto ao Pisa, os números confirmam um nítido descolamento entre o ensino privado e o público. Nos três quesitos avaliados - leitura, matemática e ciência - a discrepância é enorme. Quando se faz outro corte, separando a chamada “rede privada de elite”, os dados são ainda mais assustadores. De um lado, resultados que superam os de países como Suécia. De outro, desempenho abaixo de Peru ou Arábia Saudita, não necessariamente conhecidos pelo bom nível educacional.

Cabe aqui uma ressalva. Outra respeitada publicação, The Economist, publicou artigo apontando que os resultados do último Pisa mostram um retorno ao início do século, quando o teste começou a ser aplicado. Nas palavras da revista, houve uma queda geral.

Para concluir, vale repetir o velho clichê: crescimento econômico passa diretamente por bom nível educacional. O desafio está aí. Cruzando os dados de PIB e Pisa, salta aos olhos a necessidade de investimentos urgentes em educação. Do contrário, o governo Bolsonaro repetirá vícios e erros de gestões anteriores, relegando o país a posições subalternas no cenário internacional, além de empregos precários no Brasil.

André Pereira César
Cientista Político

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