O MDB nas eleições de outubro

Maior partido do Brasil, o MDB terá participação fundamental nas eleições de outubro
próximo. Até aí, nada de novo. A novidade é que pela primeira vez desde o governo
Itamar Franco, na primeira metade da década de noventa, a agremiação participará do
pleito comandando o Planalto.

Um pouco de história.

Surgido durante o regime militar como contraponto ao partido governista, a Arena, o
MDB esteve presente nos mais importantes eventos da política nacional das últimas
décadas. Combate aos militares, Diretas-Já, eleição de Tancredo Neves, Plano Cruzado,
Constituinte, os emedebistas sempre foram protagonistas da história brasileira.

Indo além, desde o governo Fernando Henrique Cardoso, em 1995, o MDB sempre
integrou a base aliada. O partido, em tese, seria essencial para garantir a
"governabilidade" das administrações federais.

O partido comandou ainda por três vezes a presidência da República. As três ocasiões,
diga-se, se deram de maneira "acidental". Em 1985, o então vice-presidente José
Sarney assumiu após a morte do titular Tancredo Neves; em 1992, Itamar Franco foi
alçado à presidência depois do afastamento de Collor; por fim, Michel Temer tomou o
poder em 2016 com o impeachment de Dilma Rousseff.

Nas duas vezes em que disputou a presidência na cabeça de chapa, o MDB (então
PMDB) teve desempenho pífio. Em 1989, Ulysses Guimarães foi fragorosamente
derrotado no primeiro turno. Em 1994, Orestes Quércia ficou atrás até mesmo do
folclórico Enéas Carneiro.

O que esperar do MDB em 2018?

Mesmo com a caneta presidencial nas mãos, é pouco provável que o partido vá até o
fim com a anunciada pré-candidatura de Henrique Meirelles. Praticamente
desconhecido do grande eleitorado e com índices baixíssimos nas pesquisas de
intenção de voto, o ex-ministro da Fazenda enfrenta também resistência de setores
emedebistas que defendem o apoio a outros nomes. Há ainda o "fator econômico" - o
crescimento da economia abaixo do esperado esvazia o principal ativo político de
Meirelles.

Sem Meirelles, o MDB não tem em seus quadros outro nome disposto ao sacrifício da
sucessão presidencial. O partido negociará apoios e coligações no plano estadual, caso
a caso, sem vincular essa postura diretamente com a disputa pelo Planalto.

Esse posicionamento reflete a realidade histórica do MDB. A agremiação é forte nos
estados e municípios. Mais que isso, diferenças regionais dificultam a unidade no plano
federal. Assim, interessa mais ao líderes nos estados buscar alianças locais, alianças
essas que fortaleçam o partido de baixo para cima. Em Alagoas, por exemplo, o clã
Calheiros tende a caminhar ao lado do PT. Em outros locais há conversas com DEM,
PSDB, PP e outros.

O que é líquido e certo é que, mais uma vez, o MDB elegerá uma grande bancada na
Câmara dos Deputados. Mais ainda, salvo a improvável vitória de um candidato mais à
esquerda, como Guilherme Boulos (PSOL), o MDB será chamado a integrar a base
aliada do governo que assumirá no início de 2019.

O recente movimento de setores do centro certamente tentará atrair os emedebistas
para suas fileiras. Essa será uma maneira do presidente Temer, hoje bastante
enfraquecido, manter algum protagonismo na disputa.

De todo modo, o MDB será novamente importante no processo eleitoral, e também
nos futuros debates em torno dos grandes temas nacionais.

André Pereira César
Cientista Político

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