O Centrão e suas apostas

É fato inegável que a sucessão presidencial de 2022 foi antecipada e já domina corações e mentes do mundo político. Grupos políticos se movimentam de olho no pleito, entre eles a esquerda e a centro-esquerda, de um lado, e a centro-direita e a direita tradicional, de outro.

Neo-aliado do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o Centrão também está mobilizado. O bloco suprapartidário, porém, não tem uma agenda programática unificada e está longe de ser monolítico. Na verdade, é o pragmatismo político que move seus integrantes.

Assim, líderes do Centrão têm se posicionado nas últimas semanas com o claro objetivo de demarcar posição no prólogo do pleito de 2022. Partidos como o PSD, o PP e o Republicanos desejam ser protagonistas do processo que se inicia, e já atuam nesse sentido.

As recentes declarações do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, evidenciam essa realidade. Tão logo encerrado o primeiro turno das eleições municipais e com resultados positivos para a legenda em mãos, ele colocou o partido no “primeiro time” da política nacional ao lado de MDB, DEM e PSDB e anunciou a disposição de lançar candidato próprio em 2022. Hoje, o valor do passe do PSD subiu e, consequentemente, o preço político do apoio ao presidente Bolsonaro.

Igualmente vencedor no pleito municipal, o PP adotou, por ora, linha diferente do PSD. O presidente nacional do partido, o senador piauiense Ciro Nogueira, falou em reforçar os laços da agremiação com Bolsonaro. Ele defendeu o titular do Planalto de suas polêmicas e colocou o PP como fiel aliado na defesa da agenda do governo. Nogueira, em nome do partido, parece mais interessado em manter-se próximo do centro do poder sem, no entanto, comandar o jogo.

O Republicanos é um caso à parte. Seu presidente, o deputado federal Marcos Pereira, mantém boa interlocução com os mais diversos grupos políticos, inclusive com a esquerda - tanto que o PT não descarta a possibilidade de apoiar sua candidatura à presidência da Câmara dos Deputados, no início de 2021. Por ora, o partido segue apoiando Bolsonaro, e conta em suas fileiras com o senador Flávio Bolsonaro e o vereador Carlos Bolsonaro. Um laço muito forte com o presidente, sem dúvida.

Outras legendas do Centrão, como o PTB e o PL, ainda precisam deixar mais claros seus posicionamentos. No caso dos petebistas, o comandante da legenda, Roberto Jefferson, precisou deixar os holofotes após um período de apoio explícito (e, de certo modo, exagerado) a Bolsonaro. A legenda, porém, está enfraquecida, e estar ao lado do presidente pode ser a única alternativa.

Enfim, o que se vê é o Centrão tateando o cenário em busca de um norte. O quadro ficará mais claro muito em breve, com a definição do comando da presidência da poderosa Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional e a sucessão na Câmara. A partir daí, o jogo será outro, e o bloco mostrará a que veio.

André Pereira César
Cientista Político

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