Nove partidos

A rigor, a decisão do presidente Jair Bolsonaro de deixar o PSL não surpreende a quem acompanha a política brasileira. Pouco afeito a agremiações, o titular do Planalto segue trocando de casa - PDC, PPR, PPB, PTB, PFL, PP, PSC, PSL e, agora, a Aliança pelo Brasil. Nove partidos.

E o que seria a Aliança, o novo partido de Bolsonaro? Uma legenda de extrema direita, que tem como objetivo “libertar a população da destruição dos valores cristãos e morais”, em busca da “fé, honestidade e família “. Bem ao gosto de parcela da sociedade brasileira, e em linha com lideranças como o húngaro Viktor Orbán, baluarte da direita europeia.

A depuração será clara. Do PSL, virão apenas os parlamentares umbilicalmente aliados ao presidente - ficarão de fora nomes como o senador Major Olímpio e os deputados Delegado Waldir e Joice Hasselmann, todos anteriormente expoentes do bolsonarismo.

Assim, espera-se que a nova legenda nasça com algo em torno de cinquenta deputados, número próximo ao do atual PSL. No Senado Federal, porém, a expectativa é de que apenas um parlamentar integre o novo partido, Flávio Bolsonaro.

A criação da nova legenda presidencial não será fácil. Para disputar as eleições municipais do próximo ano, o partido precisará estar registrado pelo Tribunal Superior Eleitoral até março de 2020. Cabe lembrar que mais de setenta partidos aguardam registro, enquanto 32 já funcionam oficialmente.

Por fim, um movimento importante foi dado pelo grupo não bolsonarista do PSL. Comandados por Luciano Bivar, os parlamentares que não aderiram ao presidente da República iniciaram uma aproximação com DEM. Caso a fusão ocorra, o partido terá cerca de cinquenta deputados e comandará as duas Casas Legislativas. Um forte ativo político, que certamente confrontará Bolsonaro e seus aliados.

André Pereira César
Cientista Político

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