Notas políticas esparsas

A semana que se inicia marca o encerramento da campanha para as presidências da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Igualmente a questão da vacinação contra a Covid-19 segue no centro das atenções, com impacto direto sobre a política e a economia.

Sucessão no Congresso Nacional - as eleições para as Mesas Diretoras da Câmara e do Senado entram na reta final. Entre os senadores, Rodrigo Pacheco (DEM/MG) continua favorito, mas Simone Tebet (MDB/MS) afirma que levará sua candidatura até o fim. Na Câmara, a disputa segue embolada. O candidato do Planalto, Arthur Lira (PP/AL), intensifica suas conversas por todo o país, enquanto Baleia Rossi (MDB/SP) aumenta as críticas ao governo federal, falando inclusive na possibilidade de analisar os pedidos de impeachment contra o presidente da República. A sucessão na Câmara transcende o universo parlamentar e, para os próximos dias, será interessante acompanhar o movimento de agentes externos como imprensa, empresários e investidores em geral, que de alguma forma poderão indicar, mesmo que minimamente, qual grupo, no dia da eleição, terá a preferência do establishment.

Pandemia - o país segue, de maneira tímida, o processo de vacinação da população, enquanto os números da Covid-19 pioram. A situação continua crítica em Manaus e o quadro registra deterioração em outras capitais e cidades da região Norte, como Belém (PA), Porto Velho (RO) e Rio Branco (AC). No final de semana, o jornal inglês The Guardian publicou extensa matéria sobre o caos na saúde na capital amazonense.

Bolsonaro x Dória no combate à pandemia - a politização do combate à pandemia em números. Levantamento do DataFolha, realizado nos dias 20 e 21 de janeiro, mostra que 46% dos brasileiros avaliam que o governador paulista João Dória (PSDB) atuou melhor contra a Covid-19 que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Outros 28%, por outro lado, consideram melhor a atuação do titular do Planalto, enquanto 11% criticam a atuação de ambos.

Popularidade presidencial - na mesma pesquisa do DataFolha foi aferida a popularidade presidencial, e os resultados não são bons para Bolsonaro. Sua gestão é considerada “ruim” ou “péssima” por 40% dos brasileiros - há um mês, ela estava em 32%. Já os que avaliam o presidente como “bom” ou “ótimo” caíram de 37% para 31%. A tendência de queda na popularidade do titular do Planalto foi confirmada por outros dois levantamentos, da XP/Ipespe e da Exame/Ideia.

O fantasma do impeachment - a palavra “impeachment” voltou a circular no mundo político brasileiro, ainda de maneira discreta. Apesar dos protestos registrados nos últimos dias (ver abaixo), o tema ainda não empolga boa parte da massa. De acordo com o DataFolha, 53% da população é contrária ao afastamento do presidente, contra 42% favoráveis. Em abril do ano passado, época das demissões dos ministros Luiz Henrique Mandetta-DEM/MS (Saúde) e Sérgio Moro (Justiça), esse índice era de 48% e 42%, respectivamente.

Governo Biden - recém-empossado, o democrata Joe Biden já adotou diversas medidas contrárias ao do ex-presidente Donald Trump. Entre elas, o retorno dos Estados Unidos ao Acordo Climático de Paris e a anulação do decreto de saída da Organização Mundial de Saúde (OMS). O novo presidente deixa claro que o multilateralismo norteará sua administração. Com relação ao Brasil, a porta voz do governo Biden, Jen Psaki, declarou no último dia 20, que não há data para conversas com o governo Bolsonaro, apesar da agenda ambiental ser uma das prioridades do governo americano.

Protestos na Rússia - o governo Putin enfrenta uma série de protestos contra a prisão do oposicionista Alexei Navalny. As manifestações ocorrem simultaneamente em diversas cidades russas e já resultaram em milhares de prisões. O movimento pode sair do controle do governo e, no limite, abalar a gestão Putin. Esse movimento pode vir a impactar a agenda econômica e social no mundo.

Manifestações no Brasil - o final de semana foi marcado por protestos contra o governo Bolsonaro. Organizadas na forma de carreatas por conta da pandemia, as manifestações se espalharam por dezenas de cidades brasileiras. Até o momento, há uma clara divisão nos protestos - grupos de esquerda e de direita realizaram separadamente seus protestos. No entanto, esse quadro tende a mudar nas próximas semanas - os dois lados podem vir a unir suas forças contra o titular do Planalto. O aumento da pressão externa tende a influenciar o Parlamento. Se o movimento crescer, o risco de abertura de um processo de impedimento de Bolsonaro pode se efetivar.

André Pereira César
Cientista Político

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