Notas políticas do final de semana

. Em entrevista exclusiva concedida ao jornal O Estado de São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que “a economia é 100% com o ministro Paulo Guedes” e que o titular da pasta continua a ser o “posto Ipiranga”. Apesar de, em tese, Bolsonaro ter reforçado o apoio ao ministro, as palavras do presidente podem ser interpretadas como uma tentativas jogar todo o peso das dificuldades que a economia enfrenta nas costas de Guedes;

. O jornal Folha de São Paulo, por sua vez, publicou matéria sobre o suposto envolvimento de dinheiro do esquema de candidatos laranjas em Minas Gerais na campanha do presidente Jair Bolsonaro. Apesar de ainda tênues, as denúncias podem abrir uma nova crise no Planalto. Em resposta, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, afirmou que a manchete do jornal “não reflete a realidade” e que “Bolsonaro fez a campanha mais barata da história”;

. Em entrevista concedida à Folha de São Paulo, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), criticou o ministro Moro, afirmando que ele tem visão distorcida do Legislativo e, junto com outros integrantes da Lava Jato, tem exercido pressão indevida sobre os parlamentares. Maia defendeu ainda a CPMI das Fake News, apesar de o presidente Jair Bolsonaro ser contra as investigações;

. Em certa medida alinhado com Maia, o líder do Podemos no Senado Federal, Álvaro Dias (PR), criticou a falta de liderança do presidente Bolsonaro. Segundo o parlamentar, o governo carece de articulação e de projetos para o país. Nesse quadro, os investidores estão assustados e não ocorre a retomada do crescimento econômico. Ele criticou ainda a demora do Planalto em apresentar uma proposta de reforma tributária, deixando a questão nas mãos das duas Casas - Câmara e Senado;

. O MDB tem um novo presidente nacional. O líder da bancada na Câmara, deputado Baleia Rossi (SP), foi eleito no domingo o novo presidente do partido. O parlamentar é figura de destaque no Congresso Nacional e é o autor da proposta de reforma tributária em tramitação na Casa. Sua condução ao comando representa uma tentativa de se renovar as lideranças do MDB, partido que perdeu espaço na atual conjuntura política;

. Uma nova lista de prioridades será objeto de debates no Congresso Nacional a curto e médio prazos. Além da questão da cessão onerosa, hoje no centro das discussões, a “regra de ouro” é uma reforma administrativa estarão no radar de deputados e senadores;

. As eleições para os Conselhos Tutelares em todo o país tiveram participação inédita. A escolha entre candidatos progressistas ou conservadores refletiu o quadro de polarização política pelo qual o Brasil atravessa. Pode-se dizer que o “efeito Bolsonaro” permeou toda a disputa.

Além das polêmicas do final de semana acima descritas, a agenda do poder ainda conta com a análise de vetos pelo Congresso Nacional de regras para financiamento de campanhas políticas e a votação, pela Câmara dos Deputados, da proposta que aumenta os casos permitidos de porte de armas e diminui a idade para a sua compra. Por fim, a entrevista ao programa Roda Viva, nesta segunda-feira, do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. A semana, que se inicia, promete ser tumultuada. A conferir.

André Pereira César
Cientista Político

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