Mundo da Política: algumas questões de julho

Ciro Nogueira na Casa Civil - na tentativa de melhorar as relações entre o Planalto e o Senado Federal, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) indicou o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, para a Casa Civil. O parlamentar, que vinha sendo criticado por sua discreta atuação na defesa do governo na CPI da Covid, tentará estabelecer uma ponte mais sólida com deputados e senadores.

O ingresso de Nogueira no primeiro escalão do governo tem ainda um segundo objetivo. O senador reforçaria seus laços de fidelidade com Bolsonaro, justamente no momento em que o ex-presidente Lula (PT) abre conversas com os partidos de centro.

Ministério do Emprego e Previdência - após grande pressão do mundo político, o titular do Planalto recriou o ministério do Trabalho, agora sob o nome “Emprego e Previdência”, para acomodar Onyx Lorenzoni, uma espécie de curinga do governo, já que o seu lugar à frente da Secretaria Geral da Presidência da República deverá ser ocupada pelo ex-titular da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos.

Historicamente, o PTB sempre orbitou em torno da pasta. De fora do novo arranjo, resta acompanhar o comportamento do partido do neoaliado Roberto Jefferson.

Paulo Guedes com menos poder - a recriação do ministério do Trabalho significa mais um revés para “ex-posto Ipiranga” e atual ministro da Economia, Paulo Guedes. O desmembramento de sua pasta pode não se encerrar agora - novos ministérios da Indústria e Comércio e do Planejamento estão no radar de Bolsonaro.

Ameaças de Braga Netto - o posicionamento do ministro da Defesa, general Braga Netto, colocando em xeque as eleições do próximo ano caso não haja voto impresso e auditável, acenderam um sinal de alerta no mundo político. Dos mais fiéis aliados do Planalto, suas palavras refletem o pensamento de Bolsonaro.

Pior, ao negar as afirmações, o ministro aumentou as dúvidas quanto às reais intenções do governo no que diz respeito ao processo sucessório. A palavra “golpe” voltou a circular em Brasília.

Voto impresso - uma consequência imediata das palavras de Braga Netto é o quase sepultamento da PEC do Voto Impresso. Uma das principais bandeiras do governo, a proposição já era alvo de críticas de muitas lideranças. Agora, partidos como o DEM, o MDB, o PSDB e o PSD decidiram acelerar o processo de engavetamento da matéria. Mais uma derrota para o Planalto.

Semipresidencialismo - a ideia do semipresidencialismo ganhou força nas últimas semanas, mas ainda são remotas as chances de que prospere. As lideranças não estão seguras de que o modelo, próximo ao parlamentarismo, seja capaz de conter crises políticas como a atual. Além disso, o movimento tem um ar de casuísmo, que não é bem visto pela opinião pública.

André Pereira César
Cientista Político

Colaboração: Alvaro Maimoni – Consultor Jurídico

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