Em busca de um novo tom

A prisão do ex-assessor Fabrício Queiroz, suspeito de participar das chamadas rachadinhas no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro (Republicanos/RJ), gerou um efeito inesperado. O presidente Jair Bolsonaro mudou o tom e passou a falar em “diálogo” com os outros Poderes. Ao menos no curto prazo, essa deverá ser a tônica de seu governo. Até a próxima crise.

Em solenidade no Planalto na quinta-feira, 25 de junho, ele afirmou que “o entendimento entre ele e os presidentes do Supremo Tribunal Federal, da Câmara dos Deputados e do Senado Federal sinaliza dias melhores”. Ele defendeu ainda que a condução do país se dê com “paz e tranquilidade”. Uma declaração quase inédita nesse ano e meio de seu governo.

Além disso, na mesma quinta-feira, o presidente nomeou o economista e especialista em gestão Carlos Alberto Decotelli para comandar o ministério da Educação. A indicação representa uma derrota para o núcleo olavista do governo e conta com o respaldo dos militares, pois o novo ministro é oficial da reserva da Marinha. Há também um elemento extra, de caráter simbólico - Decotelli será o primeiro ministro negro na atual administração.

É importante notar que esses movimentos ocorrem justamente quando nova pesquisa sobre a popularidade presidencial mostra estabilidade nos índices de Bolsonaro. De acordo com levantamento do DataFolha, realizado nos dias 23 e 24 últimos em todo o Brasil, 32% dos eleitores aprovam o presidente. Em maio, na última pesquisa, eram 33% os favoráveis ao presidente. Do outro lado, 44% desaprovam-no, contra 43% no mês passado.

Os números mostram a resiliência da base bolsonarista. Isso certamente dá ao presidente a segurança necessária para alguns ajustes de curso. Esse contingente da população sempre estará a seu lado.

Bolsonaro acenou com uma bandeira branca. Ainda é cedo para dizer se isso se dá de maneira consistente ou se trata apenas de uma tática diversionista. Afinal, o presidente tem muitos obstáculos em seu entorno - Queiroz e seu advogado, Frederick Wassef, representam apenas um deles.

André Pereira César

Cientista Político

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