É a economia…

Com o avanço da vacinação e a redução dos casos de Covid, cresce a percepção de que a opinião pública tem voltado suas preocupações para a economia. A mais recente pesquisa Quaest/Genial, realizada entre 30 de setembro e 3 de outubro, confirma essa realidade.

Em termos gerais, o levantamento está alinhado com outras pesquisas - a avaliação do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) segue em queda, com 53% de negativo (45% em agosto) e 20% de positivo (26% há dois meses). O titular do Planalto perde força política de maneira acentuada.

Quanto à sucessão presidencial, poucas novidades. O ex-presidente Lula (PT) segue com larga vantagem - na média dos cenários apresentados, tem 45% das intenções de voto, contra 26% de Bolsonaro e 11% do neopedetista Ciro Gomes. A chamada terceira via segue patinando.

Chegamos aqui naquilo que consideramos o ponto mais importante da pesquisa, a questão dos desafios nacionais. Os números gerais são claros - a economia é o pior problema hoje na avaliação de 44% dos brasileiros, contra 24% que apontam a saúde/pandemia a principal mazela. Em agosto último, o quadro era outro, com 36% com foco na saúde e 32% a economia. O jogo mudou, e esse fato tem implicações políticas de monta.

Indo além, a preocupação com a inflação subiu de 3% em agosto para 9% agora. Esses números ilustram, em parte, a queda da popularidade de Bolsonaro em setores específicos - entre aqueles que recebem 2 a 5 salários mínimos, a avaliação negativa subiu de 41% em agosto para 48% agora. Já a faixa acima de cinco salários mínimos registra aumento de 36% para 49%. Quem faz compras em supermercados e abastece o tanque sente na pele a realidade e aponta um possível responsável.

Por fim, a expectativa quanto ao futuro é nebulosa. De agosto para cá, caiu a perspectiva de melhora na economia (50% para 39%) e aumentou a de piora (25% para 34%). A inflação sem controle, a alta consistente da Selic e a crise hídrica tendem a agudizar esse quadro. Pior para o Planalto.

Um velho tema retoma ao posto de principal preocupação do brasileiro. Os candidatos à presidência da República no próximo ano precisarão se equilibrar entre a economia, que tende a estar deprimida durante a campanha, e a saúde pública, ainda à sombra da pandemia. Um malabarismo complexo, um desafio para governo e oposição.

“É a economia…”, reza o velho mantra.

André Pereira César
Cientista Político

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