DESTAQUES DO SENADO FEDERAL NO PRIMEIRO SEMESTRE

Introdução

            No âmbito do Senado Federal, alguns parlamentares, nesse primeiro semestre, conseguiram se sobressair aos demais.

            Importante destacar que as atuações dos Senadores da República, assim como as dos Deputados Federais, são passíveis de destaque e, portanto, podem e devem ser avaliadas, através de suas atuações individuais, de sua atividade em conjunto com os pares do mesmo partido ou ainda de seus desempenhos em blocos.

            O que faz o destaque do trabalho parlamentar é algo complexo e se dá por diversos fatores, desde as qualidades pessoais, seu preparo em determinado assunto até a sua participação na vida interna no partido e o momento histórico do parlamento e do país. Por isso, importante ressaltar, que muitas vezes um determinado parlamentar não consegue se destacar individualmente, mas, agindo em conjunto, ajuda a colocar seu partido, sua proposta ou sua ideologia e, portanto, todos os seus pares, em evidência. Esse trabalho também é levado em consideração em nossa avaliação.

            Dada a complexidade e, diferente do que encontramos usualmente nas análises sobre o desempenho de parlamentares e consequentemente de quem se destacou naquele ano, nos propusemos a dividir essa análise de desempenho por semestre, de modo a tentar ser mais efetivo e permitir, assim, num corte semestral, que estejam mais fielmente refletidos todas as nuances da trabalho parlamentar.

            Como o parlamento entra em recesso no mês de julho, historicamente há parlamentares que produzem mais num determinado período do ano e há parlamentares que atuam mais somente em outro.

            Por isso entendemos ser mais coerente e racional essa divisão. Nos preocupamos mais com a qualidade das atuações do que com a quantidade de deputados a serem inseridos nessa análise.

            Analisamos a atuação parlamentar de todos os 81 Senadores da República e, dentre esse universo, destacamos cinco que, de fato, contribuíram, de alguma maneira nesse primeiro semestre, para que a agenda da Câmara Alta pudesse aprovar a agenda proposta.

SENADORES DA REPÚBLICA

  • DAVI ALCOLUMBRE

O homem que se apresentou aos seus pares na hora certa. Esse é o resumo da situação de Davi Alcolumbre (DEM/AP), atual presidente do Senado Federal. Com o apoio do Planalto e após tumultuadas sessões plenárias, ele derrotou, em fevereiro último, o principal candidato à presidência da Casa, o influente Renan Calheiros (MDB/AL). Um feito e tanto para um político, até então, de pouca expressão no cenário nacional.

Ex-deputado federal por três mandatos, judeu praticante e comerciante, aos 42 anos Alcolumbre é, inegavelmente, uma liderança política emergente. À frente do Senado ele tem se mostrado comedido e ponderado, buscando a negociação com todos os partidos com assento na Casa. Nesse sentido, ele se espelha no presidente da Câmara dos Deputados, seu companheiro de partido Rodrigo Maia.

  • FERNANDO BEZERRA COELHO

Em meio a uma sacra de nomes novos (e, portanto, pouco experientes) no Senado, o presidente Jair Bolsonaro optou por escolher Fernando Bezerra Coelho (MDB/PE) para o cargo de líder do governo na Casa. A escolha fez sentido. Ele é político com vasta experiência, tendo sido prefeito de Petrolina (PE), deputado estadual, deputado federal e ministro da Integração Nacional, durante o primeiro mandato da presidente Dilma. Também ocupou secretarias de estado em diferentes administrações de Pernambuco.

Aos 61 anos de idade, o administrador de empresas foi bastante ligado a Eduardo Campos (PSB). Isso não impediu que ele se aproximasse de outros grupos políticos, de perfil de centro-direita. Essa sua flexibilidade é um importante ativo, que ele tem utilizado com sucesso para “desatar nós” no Senado. Em um momento de crescente polarização política, essa capacidade de ação tem feito a diferença.

  • SIMONE TEBET

Herdeira política de Ramez Tebet, senador e presidente do Congresso Nacional falecido em 2006, Simone Tebet (MDB/MS) é uma líder nata. Advogada , 49 anos de idade, ela tem larga experiência política. Foi prefeita do município de Três Lagoas (MS), deputada estadual, secretária de estado e vice-governadora.

No início do ano, seu nome apareceu na bolsa de apostas para comandar o Senado. No decorrer do processo eleitoral desistiu de concorrer e negociou com muita habilidade a presidência da Comissão de Constituição e Justiça, a mais importante da Casa. Nessa condição, ela tem demonstrado firmeza na condução dos trabalhos. Pode-se dizer que, em última instância, ela é a responsável pela tramitação de duas das mais relevantes matérias em discussão atualmente no Senado Federal, as reformas da Previdência e tributária. Por ora, Simone vem obtendo sucesso em seus desafios e a sua liderança ainda não foi questionada.

  • TASSO JEREISSATI

Referência em seu partido, Tasso Jereissati (PSDB/CE) pode ser chamado de decano entre seus pares. Fundador do PSDB, ele é das poucas lideranças históricas ainda com assento na Casa. Com 70 anos de idade, administrador de empresas, ele governou o Ceará por três mandatos e presidiu o PSDB em caráter nacional. Além disso, é considerado o padrinho político de Ciro Gomes, com quem mantém até hoje relações cordiais.

Na atual quadratura, Tasso é consultado com frequência por seus colegas para opinar sobre os grandes temas nacionais. Não por acaso, tornou-se o relator da proposta de reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça. Ele apresentou seu parecer em curto espaço de tempo, com alterações significativas em relação ao texto aprovado pelos Deputados. Mais uma vez, o cearense imprimiu sua marca política.

  • MAJOR OLÍMPIO

Liderança emergente do Congresso Nacional, Major Olímpio (PSL/SP) se tornou um rosto nacionalmente conhecido. Aos 57 anos, o major da Polícia Militar foi deputado estadual, deputado federal e é Senador desde o início do ano. Ele não é propriamente fiel a partidos - já passou por PP, PV, PDT, PMB, Solidariedade e, desde 2018, milita no PSL. Por sinal, é o líder do partido na Casa. Figura nessa lista por ter, dentre todos os novatos, conseguido se sobressair aos demais.

Esse comportamento do parlamentar ajuda a explicar, em parte, as recentes declarações dele contra os rumos do PSL. Na verdade, não se trata de um embate entre Major Olímpio e o Planalto ou com o partido como um todo, mas com a seção paulista da agremiação. Trata-se de uma disputa de poder interno, visando as eleições municipais do próximo ano. O senador já afirmou que pode migrar para o Podemos, uma legenda com quem tem afinidade programática. Após a saída de Alexandre Frota do PSL, a eventual perda de um quadro como Major Olímpio pesará muito negativamente para o partido do presidente Jair Bolsonaro.

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