Cortinas de fumaça

A terça-feira começou com a discussão sobre suposta fraude nas eleições presidenciais de 2018. Enquanto isso, a tempestade perfeita vai se formando. O fato é que a maioria não acredita na tese do governo de que a crise econômica será combatida apenas com a aprovação das reformas pelo Congresso Nacional.

No atual estágio, o Planalto não possui um plano de ação e tenta jogar a responsabilidade para os parlamentares. Esses, por sua vez, já respondem de maneira crítica e aberta às declarações do presidente Bolsonaro e do ministro da Economia, Paulo Guedes.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), puxou a fila. Ele rebateu de imediato o governo ao afirmar que apenas as reformas não bastam para conter a atual crise. Ele cobrou ações de curto prazo e, sobre as reformas, disse esperar que o Planalto faça a sua parte e envie as tão propaladas propostas. Outros parlamentares, como a presidente da poderosa CCJ do Senado, Simone Tebet (MDB/MS), ecoaram a fala de Maia.

Ao mesmo tempo, economistas estão divididos sobre uma possível restrição dos gastos públicos, defendida com veemência pelo ministro Guedes. Alguns defendem as medidas, enquanto outros falam em deixar a agenda reformista em segundo plano e passar a ações de emergência. Difícil hoje é enxergar capacidade no governo para tais ações.

É sintomático que, enquanto a situação se deteriora, o presidente da República segue atacando pessoas e instituições. Ao falar na suposta fraude eleitoral em 2018, ele atinge o Tribunal Superior Eleitoral. Ele também criticou o médico Drauzio Varella, que abraçou uma pessoa, hoje presa, que teria cometido assassinato. Puras cortinas de fumaça, que agradam somente ao eleitorado bolsonarista, mas alimentam a polarização política vigente no país.

André Pereira César
Cientista Político

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