Cenário político para o próximo semestre: com ou sem PSD?

Mesmo com a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2022, que deve ocorrer nessa quinta-feira, 15 de julho, o ambiente político para o governo não deve melhorar na retomada dos trabalhos legislativos, em agosto. Com o aumento da rejeição do presidente da República, que alcançou 51% contra 45% auferidos em maio, e os avanços das investigações da CPI da Covid, os partidos do “Centrão”, que dão sustentação ao Planalto, já começam a se movimentar.

O principal movimento captado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e aliados ocorreu na última sexta-feira, 9 de julho, quando o presidente do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco (DEM/MG), manifestou-se contra as agressões praticadas pelo titular do Planalto, dentre as quais fala em não realização de eleições em 2022. Muitos entenderam como defesa à instituição, mas nos bastidores a ação do senador foi vista como um reposicionamento político. A confirmação se deu na última segunda-feira, 12 de julho, quando Pacheco se aproximou do PSD de Gilberto Kassab para discutir uma possível candidatura à presidência da República.

Embora discretos, típicos de Kassab, os movimentos são contínuos e vão ganhando espaços no ambiente político. Ainda na terça-feira, 13 de julho, o presidente nacional do PSD falou abertamente no desgaste do governo e que acredita num “segundo turno sem o presidente Bolsonaro”. Para quem conhece Kassab, todos os movimentos são minuciosamente detalhados e que ele não “joga para perder”, como destacou outro presidente de partido. A filiação do senador Rodrigo Pacheco ao PSD deverá ocorrer na convenção do partido, em outubro.

Além deste discreto, porém agressivo, reposicionamento do PSD, outro movimento ganhou especial atenção de integrantes do governo. O ministro Alexandre de Moraes (STF) – que na semana passada havia arquivado o inquérito das manifestações antidemocráticas mas na sequência abriu um novo inquérito para tratar de organização criminosa por disseminação de fake news –, compartilhou essas informações e provas com o Tribunal Superior Eleitoral, que analisa ações que podem cassar a chapa Jair Bolsonaro/Hamilton Mourão.

O semestre se encerra com a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias, e o retorno das atividades do Congresso Nacional ocorrerá em 2 de agosto. É evidente que, sem o PSD, o governo terá grandes dificuldades tanto na Câmara dos Deputados (35 deputados) quanto no Senado Federal (11 senadores). Mas esse não é o maior dos problemas. A situação tende a piorar caso o movimento do PSD sirva de inspiração política para outros partidos que orbitam o governo, como Republicanos, Podemos, DEM e PSDB. O MDB e o Solidariedade já deram sinais claros de independência, apesar de ainda votar junto com a agenda liberal do governo.

Caso isso se concretize, o Progressistas de Ciro Nogueira, o PL de Valdemar Costa Neto e o PTB de Roberto Jefferson devem ser os últimos partidos a permanecer na base governista. Portanto, a pergunta que o governo levará para o recesso é: posso contar ou não com o PSD para o próximo semestre?

HOLD Assessoria Legislativa

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