Brasília, o Brasil e o mundo na semana

. A pandemia segue batendo recordes no Brasil, tendo superado a marca de 300 mil óbitos decorrentes da COVID-19. Na terça-feira, 23 de março, o país registrou 3.158 mortes, maior número diário desde o início da crise sanitária.

. Em meio ao ápice da pandemia, o presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) empossou o novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. A posse se deu em “sessão reservada” que não constava inicialmente da agenda presidencial, fato inédito. O novo ministro assume pressionado pela falta de insumos e pelo aumento do número de casos e de mortes em decorrência do coronavírus.

. O Instituto Butantan anunciou a criação da Butanvac, possível nova vacina 100% nacional para combater a COVID-19. A instituição solicitará autorização junto à Anvisa para iniciar os estudos clínicos em voluntários. No plano político, o grande vencedor do movimento é o governador paulista João Dória (PSDB), patrocinador da pesquisa.

. Ainda sobre a pandemia, a Associação Médica Brasileira divulgou boletim no qual condena, entre outros pontos, o uso de remédios sem eficácia no combate à COVID-19. Trata-se de uma revisão no posicionamento da entidade, que no ano passado defendeu a “autonomia do médico” para receitar medicamentos. O movimento é importante e mostra a tentativa de mudança nos rumos das políticas públicas de enfrentamento da pandemia.

. Sentindo a pressão, o presidente da República falou em rede nacional de rádio e televisão na noite de terça-feira, 23 de março. Em quatro minutos, tentou adotar um estilo mais comedido e afirmou sempre haver defendido a vacinação em massa da população. Movimento em vão. Bolsonaro não foi convincente e teve de enfrentar panelaços em diversas capitais.

. No dia seguinte ao pronunciamento, os chefes dos três Poderes se reuniram para tentar encaminhar um “pacto nacional” visando o enfrentamento da crise. A reunião contou com a presença de ministros e governadores aliados do presidente. O saldo final foi tímido, com a criação de um comitê anti-covid para coordenar prioridades da pandemia. Pergunta-se a razão da demora para a adoção da medida, exatamente um ano após a eclosão da crise sanitária. A medida, para muitos, soa inócua, já que será presidida por Bolsonaro e sem a participação de prefeitos e do Fórum Nacional dos Governadores.

. Excluídos da reunião, os prefeitos criticaram duramente a mobilização em Brasília. Em nota, a Frente Nacional de Prefeitos afirmou existir no Brasil uma “federação de conveniência”.

. Atores políticos relevantes mostram-se preocupados quanto aos desdobramentos da crise. O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP/AL), afirmou ter acendido um “sinal amarelo” e citou a necessidade de se adotar “remédios amargos” caso ocorra uma “espiral de erros” por parte do governo. Já no Supremo Tribunal Federal, o ministro Luís Roberto Barroso, em tom irônico, criticou o atraso para a constituição do comitê que se deu somente após mais de 300 mil mortos.

. Falando sobre a Corte, a Segunda Turma concluiu o julgamento sobre a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro na condução da Lava Jato. Por 3 votos a 2, a suspeição foi aprovada. O voto decisivo partiu da ministra Carmen Lúcia, que mudou de posição e acompanhou o relator, ministro Gilmar Mendes. Moro segue colecionando reveses. Essa decisão mexeu, em definitivo, com o xadrez da sucessão presidencial. As peças já estão se movimentando.

. Economistas, banqueiros e empresários divulgaram uma dura carta ao governo federal. No documento, é questionada a dicotomia entre abrir a economia ou priorizar vidas no combate à pandemia. Além disso, critica-se fortemente a atuação de Bolsonaro no enfrentamento da crise.

. O Planalto tem ao menos duas notícias para comemorar. O Congresso Nacional finalmente aprovou o Orçamento de 2021, com previsão de déficit primário de R$ 247 bilhões. Em outra frente, foi editada a medida provisória do auxílio emergencial, que prevê o pagamento de quatro parcelas de R$ 250 reais aos beneficiários, mas pode variar de R$ 150 a R$ 375 a depender da composição de cada família.

. Depois de Eduardo Pazuello na Saúde, a bola da vez é o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Ele sofreu constrangimento público durante evento no Senado Federal e sua situação é praticamente insustentável. No entanto, Bolsonaro não pretende ceder, por ora, às pressões pela troca de comando na pasta e, assim, Araújo ganha uma pequena sobrevida.

. Dois fatos pitorescos marcaram o entorno do presidente. Em vídeo, o secretário-geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, criticou o lockdown e afirmou ser impossível fazer um “lockdown de insetos”. De outro lado, durante evento no Senado, o assessor especial Filipe Martins fez um gesto similar ao de supremacistas brancos. O ato gerou protestos inclusive da comunidade judaica. Martins deve ser afastado por Bolsonaro.

. Após atingir os 100 milhões de vacinados contra a COVID-19, o presidente norte-americano Joe Biden dobrou a meta e anunciou a vacinação de 200 milhões de pessoas no país. Ecos da ex-presidente Dilma Rousseff.

. O acidente com o cargueiro Ever Given, que encalhou no Canal de Suez, pode ter forte impacto na economia global, que timidamente tentava superar os efeitos da crise. Há enormes dificuldades para se retirar a embarcação e, com isso, a fila de navios na região ganha volume. Cabe lembrar que 12% do comércio mundial passam pelo canal.

HOLD Assessoria Legislativa

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