Brasília e o Brasil na semana

. A pandemia segue batendo recordes no Brasil, tendo superado os 285 mil óbitos decorrentes da COVID-19. Os sistemas de saúde estaduais e municipais estão em colapso. Fala-se inclusive em “apagão de insumos”, como oxigênio e o chamado “kit entubação”.

. Nem mesmo o mundo político escapa da pandemia. Nos últimos dias, morreram o senador Major Olímpio (PSL/SP), o prefeito de Vitória da Conquista (BA), Herzem Gusmão (MDB), e o ex-governador de Goiás, Helenês Cândido - esse último dentro de uma ambulância, à espera de vaga em UTI.

. O falecimento do senador paulista, por sinal, aumenta a pressão pela instalação da CPI da Covid na Casa. O requerimento solicitando a abertura das investigações foi protocolado há semanas e o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (DEM/MG), ainda não tomou uma decisão definitiva.

. Na tentativa de virar a chave, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) finalmente anunciou a troca de comando no ministério da Saúde. Saiu o general-ministro Eduardo Pazuello e entrou o cardiologista Marcelo Queiroga, que ainda não tomou posse efetiva no cargo. A mudança foi conturbada e o Planalto enfrenta agora um início de crise com o Centrão, que apoiava outro nome, como o deputado Dr. Luizinho (PP/RJ) ou mesmo a cardiologista Ludhmila Hajjar, que chegou a conversar com o presidente.

. O avanço da pandemia afeta fortemente a avaliação popular do presidente da República. O último levantamento do instituto DataFolha mostra que 54% dos brasileiros reprovam a atuação do governo no combate à COVID-19, contra 22% de aprovação. Em janeiro, esses índices estavam em 48% e 26%, respectivamente.

. Em termos gerais, a avaliação da atual administração é reprovada por 44% dos brasileiros (40% em janeiro). A aprovação, por outro lado, oscilou negativamente em um ponto percentual e hoje é de 30%.

. Ao ver os índices de popularidade derreter, o Planalto reage à sua maneira. O governo ingressou no Supremo Tribunal Federal solicitando a suspensão de decretos estaduais de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e do Distrito Federal que visam ampliar as restrições por conta do avanço da pandemia e o colapso do sistema de saúde.

. Ainda no campo da Justiça, os inquéritos com base na Lei de Segurança Nacional subiram nada menos que 285% desde a posse de Bolsonaro. Os números vieram à tona após a abertura de investigação contra o digital influencer Felipe Neto por críticas ao titular do Planalto.

. A 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça impôs duas derrotas ao senador Flávio Bolsonaro (Republicanos/RJ). A primeira decisão negou recurso que tentava anular todos os atos do juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, que era responsável pelo caso do Senador na primeira instância. A segunda derrota, foi no pedido da defesa de Flávio Bolsonaro para anular o compartilhamento de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) com o Ministério Público na investigação sobre as “rachadinhas” na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Os dois resultados representam uma derrota para Flávio, que tenta barrar a continuidade das investigações no Rio de Janeiro.

. No âmbito da economia, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central aumentou a taxa básica de juros (Selic) de 2% para 2,75%, movimento que não se registrava há anos. Os juros devem continuar a subir nos próximos meses, em uma tentativa de resposta ao aumento da inflação.

. Ainda na economia, o presidente do Banco do Brasil, André Guilherme Brandão, que vinha sofrendo processo de fritura, renunciou ao cargo. O governo já indicou o administrador Fausto de Andrade Ribeiro, atual diretor-presidente da BB Consórcios, subsidiária do Banco do Brasil.

. Na Câmara dos Deputados, a proposta de reforma administrativa avança. A Comissão de Constituição e Justiça da Casa, primeira etapa de discussão da matéria, terá o deputado Darci de Matos (PSD/SC) como relator. Também foi definido o relator na Comissão Especial, que tratará do mérito da proposição - será o experiente deputado Arthur Oliveira Maia (DEM/BA), aliado do presidente da Casa, Arthur Lira (PP/AL).

André Pereira César

Cientista Político

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