“A nova configuração do governo”

O governo Bolsonaro segue em transformação. Desde a posse, no início de janeiro, muitas peças-chave do Executivo foram afastadas, tendo como consequência principal uma administração com a cara do presidente.

A lista, de fato, é extensa. A partir de Gustavo Bebianno, um dos coordenadores da campanha eleitoral de Bolsonaro e secretário-geral da presidência defenestrado nos primeiros meses de governo, importantes cabeças rolaram. Caíram o ministro da Educação, Ricardo Vélez, e o secretário de governo, Carlos Alberto dos Santos Cruz. Além deles, o economista Joaquim Levy foi afastado da presidência do BNDES, bem como o secretário da Receita Federal, Marcos Cintra. Em comum, todos fizeram severas críticas ao “modo Bolsonaro de governar”.

Dentro do Palácio do Planalto esse processo de reconfiguração é ainda mais evidente. Por conta do receio de ser traído por aliados de ocasião, Bolsonaro se cercou de amigos de longa data e assessores dos tempos da Câmara dos Deputados. Eles contam com o suporte do vereador Carlos Bolsonaro e, logicamente, têm amplo acesso ao gabinete presidencial e, mais ainda, às redes sociais do presidente.

São muitos os integrantes desse grupo. Destacam-se o secretário-geral, Jorge Oliveira, ex-chefe de gabinete do deputado Eduardo Bolsonaro; o secretário de governo, Luiz Eduardo Ramos; o chefe de gabinete do presidente, Pedro César Sousa; e o assessor-chefe Célio Faria Júnior. Nas mídias sociais o operador é Tércio Arnaud Tomaz, enquanto a assessoria especial para Assuntos Internacionais continua nas mãos de Filipe Martins.

As alterações efetuadas ao longo desses nove meses de governo deixam claro que nenhum integrante dos primeiros escalões do Executivo estão garantidos em seus postos e muito menos têm carta branca para agir. Isso vale inclusive para os dois “superministros”, Paulo Guedes e Sérgio Moro. A gestão é da exclusiva responsabilidade de Bolsonaro, com o suporte e influência de seus filhos. Isso explica, em larga medida, a sucessão de turbulências por conta de palavras e atos do presidente da República. A médio e longo prazos, esse “modo de governar” pode cobrar um elevado custo político ao titular do Planalto.

André Pereira César
Cientista Político

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