2022: peças em movimento

. Bolsonaro e o STF - o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) insiste em apresentar ao Senado Federal um pedido de afastamento dos ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A ação deve aumentar a tensão entre os Poderes.

De fato, são remotas as chances de tal medida avançar entre os senadores. Para o titular do Planalto, pouco importa. Seu objetivo é manter seus apoiadores mobilizados, em meio à antecipada pré-campanha sucessória.

Enquanto essa manobra ainda não entra em ação, outras frentes de batalha estão sendo abertas contra o STF. Na última quinta-feira, o presidente protocolou uma ação no próprio STF em que pede que seja anulado o artigo do regimento interno da Corte que permite a instauração de inquérito de ofício, ou seja, sem pedido do Ministério Público. Trata-se mais de movimento em resposta a seus fiéis apoiadores do que a efetiva modificação do entendimento da Corte Suprema.

. Bolsonaro em São Paulo - são notórias as dificuldades enfrentadas pelo titular do Planalto para montar um palanque minimamente competitivo em São Paulo. Assim, Bolsonaro segue testando nomes.

O mais recente é o do ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas. Nos últimos três meses, ele participou de nada menos que nove eventos no estado, incluindo a entrega da reforma da pista do aeroporto de Congonhas. Pouco conhecido do eleitor e sem filiação partidária, ele enfrentará dificuldades para consolidar uma eventual candidatura ao governo paulista, ainda mais em se tratando da disputa do maior colégio eleitoral, que tem uma hegemonia tucana de quase trinta anos.

. Ciro Gomes, Kassab e Bolsonaro - adversários e aliados começaram a especular sobre a possibilidade de Bolsonaro desistir da disputa à reeleição. Em recente entrevista a um programa de televisão, o neopedetista Ciro Gomes afirmou não acreditar na presença do atual presidente nas eleições de 2022. Mesma opinião do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, que considera o titular do Planalto “perdido”.

Tratam-se apenas de percepções de atores políticos de relevo, mas é inegável que o comportamento mercurial de Bolsonaro, somado ao fato de ele ainda não estar filiado a nenhum partido político, estimula todo tipo de avaliação.

. Pacheco perto do PSD - por falar em Kassab, seu aniversário, comemorado na última terça-feira, teve um convidado especial: o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (DEM/MG).

Em processo de mudança para o PSD, o senador foi festejado pelos muitos parlamentares presentes no convescote. Confirmado ingresso de Pacheco, o PSD entrará de fato no jogo sucessório, na condição de protagonista.

. Dória fortalecido - o governador João Dória (PSDB) deu um importante passo rumo à sucessão presidencial. Ele terá como Secretário de Ações e Projetos o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (sem partido). Trata-se de um cargo eminentemente político, que têm como objetivo abrir outras portas para uma eventual candidatura Dória à presidência da República.

Além disso, o governador paulista recebeu o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, decano do PSDB, um movimento de forte caráter simbólico. Hoje, Dória pode ser considerado o favorito para vencer as prévias do partido, que ocorrerão em breve.

. Lula no Nordeste - em sua primeira viagem ao Nordeste desde que retomou os direitos políticos, o ex-presidente Lula (PT) selou importante acordo com o PSB de Pernambuco, representado pelo prefeito de Recife, João Campos. O entendimento entre os dois partidos é fundamental para o projeto do petista, pois entrega um palanque forte no estado, ao mesmo tempo que esvazia as negociações entre os socialistas e Ciro Gomes.

Na mesma viagem, Lula estabeleceu contatos com nomes do Centrão. As conversas deixaram claro que a atual relação do bloco com Bolsonaro é bastante frágil e pode ser rompida a qualquer momento.

André Pereira César
Cientista Político

Colaboração: Alvaro Maimoni – Consultor Jurídico

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