Mídia internacional destaca polarização com clima de irracionalidade

SÃO PAULO - A eleição do Brasil é destaque nos veículos internacionais
de comunicação neste domingo. Sites dos principais jornais do mundo
acompanharam a abertura das urnas com matérias contextualizando o
cenário político brasileiro e pontuando principalmente o clima de polarização
em torno dos dois candidatos favoritos para duelarem num possível segundo
turno, o capitão reformado do Exército Jair Bolsonaro, do Partido Social
Liberal (PSL), e o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, do Partido dos
Trabalhadores (PT).

O americano "Wall Street Journal", por exemplo, chama a atenção para a
aparente vontade dos eleitores brasileiros de escolher para o futuro "duas
versões do passado". O "WSJ" cita o analista político Andre César, que avalia
que "esta é uma disputa entre duas nostalgias". "Nostalgia pela prosperidade
que o Brasil desfrutava sob o poderio militar e depois com Lula [da Silva].
Mas isso é irracional". Nenhum desses mundos existe mais, diz o jornal.

Na mesma linha, o britânico "Financial Times" classifica a eleição deste
domingo como "a mais importante desde a redemocratização do Brasil nos
anos 1980" e define como um "teste decisivo da saúde da democracia nos
países emergentes. O debate se transformou em uma guerra on-line nas
mídias sociais, na qual notícias falsas e memes ofensivos viraram as
principais armas".

Na visão do "FT", Bolsonaro é uma mistura comportamental do presidente
dos Estados Unidos, Donald Trump, com o presidente das Filipinas, Rodrigo
Duterte, que teve sua ascensão proporcionada pela decadência dos partidos
tradicionais brasileiros. Já Hadadd é apontado pelo jornal financeiro com
sede no Reino Unido como o representante do PT, que governou o país por 13
anos e foi impactado por grandes escândalos de corrupção. "A eleição de
2018 está entre as mais bizarras do Brasil nos anos recentes", comenta o
jornal, mencionando ainda a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva e o atentado contra Bolsonaro durante a campanha.

O "New York Times" publicou uma matéria mais explicativa sobre as
possibilidades de vitória entre Bolsonaro e Haddad, mas tampouco deixa de
destacar a ideia de que se trata da disputa presidencial mais dividida e
polarizada desde o fim da ditadura militar" em 1985.

Já o espanhol "El País" prevê uma divisão ainda maior na população
brasileira nas próximas três semanas caso Bolsonaro não consiga vencer de
vez neste domingo e haja um segundo turno. "A polarização se acentuará
ainda mais caso a Presidência seja decidida entre Bolsonaro e Haddad. Mais
de que uma campanha eleitoral, as nove semanas [de campanha] pareceram
uma séria de escaramuças entre os dois grupos".

Na Alemanha, o diário "Süddeutsche Zeitung" analisa que o Brasil neste
domingo enfrenta um jogo além da dicotomia entre esquerda e direita. "Se o
extremista Jair Bolsonaro vencer, a democracia estará em risco", afirma o
jornal alemão.

A agência alemã Deutsche Welle (DW), que tem um site em português, também tem feito cobertura frequência das eleições brasileiras e resume: “O que poderia ser encarado como uma oportunidade de recomeço para estancar a crise política e institucional e deixar o moribundo e impopular governo Michel Temer para trás arrisca abrir as portas para mais incerteza”.

Fonte: https://www.valor.com.br/politica/5909389/midia-internacional-destaca-polarizacao-com-clima-de-irracionalidade

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